Suzano diz que ganhou com maior preço da energia

Companhia vende energia produzida na fábrica de Imperatriz, no Maranhão, e compra para a unidade de Suzano, em São Paulo

São Paulo – A Suzano Papel e Celulose afirmou que está se beneficiando do maior preço da energia elétrica no mercado de curto prazo, após equilibrar as contas com a compra de energia mais cara no Sudeste e a venda de energia mais barata no Norte.

A empresa, que vende energia produzida na fábrica de Imperatriz, no Maranhão, e compra para a unidade de Suzano, em São Paulo, registrou no segundo trimestre aumento do custo dos produtos vendidos por maiores gastos com energia, entre outros fatores.

Mas em junho a empresa conseguiu equilibrar seus negócios com energia, para no mês seguinte passar a lucrar com o alto preço da energia no mercado de curto prazo.

“Estamos aumentando a exportação (de energia) no Maranhão à medida que as produções aumentam, e isso já passou a ser superavitário a partir de julho. A questão de energia já está endereçada… Adicionalmente, em julho, passamos a exportar energia em Mucuri (BA) também”, disse o presidente da Suzano, Walter Schalka, em teleconferência com analistas para comentar os resultados trimestrais.

A Suzano, segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto, teve lucro líquido de 97,2 milhões de reais no segundo trimestre, revertendo o prejuízo um ano anotes, com um amelhora do resultado financeiro e crescimento das vendas no período.

O custo dos produtos vendidos pela Suzano no segundo trimestre totalizou 1,328 bilhão de reais, 35,5 por cento superior a igual período do ano anterior, também impactado pela variação cambial nos itens atrelados ao dólar e pelo maior volume vendido de papel e celulose.

A companhia gera energia a partir do processo de produção da celulose. Para o segundo semestre do ano, a Suzano afirmou que possui cerca de 70 por cento da compra e venda de energia contratadas.

“Nós entendemos que a questão energética pode beneficiar nosso resultado no médio a longo prazo”, disse Schalka.

A fábrica do Maranhão, inaugurada em dezembro de 2013, teve capacidade de produção elevada e contribuiu para a maior geração de energia.

A Suzano disse que a unidade já atingiu a capacidade diária prevista e manteve a meta de produção de celulose entre 1 milhão e 1,1 milhão de toneladas neste ano.

Redução de Produção

Diante do preço pressionado da celulose, por conta da expectativa de oferta de novas capacidades, a Suzano decidiu reduzir a produção do insumo na fábrica de Mucuri (BA) em cerca de 30 mil toneladas no segundo trimestre, visando melhorar a rentabilidade média das operações.

“A opção mostra ao mercado que não estamos satisfeitos com o nível de preço, que não remunera adequadamente o capital investido. Não vamos operar na máxima capacidade de volume, mas buscar a evolução de rentabilidade”, disse Schalka.

A companhia afirmou que a redução não será permanente, e que vai acompanhar a rentabilidade marginal de cada tonelada produzida para verificar qual será a política adotada nos próximos trimestres.

Apesar de preferir não fazer previsões sobre aumentos no preço da celulose na segunda metade do ano, o executivo afirmou que “se for possível aumentar o preço, aumentaremos, pois o preço atual não rentabiliza o capital”.

Papel

Sobre o segmento de papel, cuja demanda doméstica do setor caiu 5,4 por cento no segundo trimestre, a Suzano se mostrou mais otimista em relação ao segundo semestre.

“Como usualmente acontece, temos uma expectativa boa para o segundo semestre. Sempre em ano de eleição temos demanda maior por papéis revestidos e não revestidos e melhoria na demanda por papel cartão”, disse o diretor-executivo da unidade de negócios de papel e celulose, Carlos Aníbal de Almeida Jr.

Ele acrescentou que também espera demanda adicional por conta do Programa Nacional do Livro Didático.