Resultados encerram era Polman na Unilever

Números de hoje marcam o fim da era Paul Polman e lançam luz sobre o futuro da companhia

A Unilever, maior fabricante de bens de consumo do planeta, mudou. Em dezembro, a companhia anunciou a troca do presidente que esteve no comando durante toda a última década, o holandês Paul Polman.

Agora, sob a direção do britânico Alan Jope, espera alcançar a ambiciosa meta de expandir sua margem de lucro em pelo menos 20% até 2020. Nesta quinta-feira, 31, a empresa irá anunciar seu resultado do quarto trimestre de 2018, fechando o último ano completo sob comando de um líder que carregou a responsabilidade corporativa e o fim do curto-prazismo como bandeiras. Agora, uma fase mais agressiva deve começar. 

Da consagrada maionese Hellmann’s até os produtos de cuidado pessoal da Dove, a Unilever detém mais de 400 marcas ao redor do globo. Dessas, as 13 maiores ㅡ entre elas, Rexona, Axe, Seda, Knorr e Maizena ㅡ geram lucros vendas na casa dos bilhões de euros e atingem diretamente cerca de um bilhão de consumidores.

A companhia manteve, nos últimos anos, crescimento anual na casa dos 3%, e deve manter o ritmo no balanço divulgado hoje, mas vem perdendo mercado para produtos cada vez mais específicos e com foco no saudável.

No último Fórum Econômico de Davos, o novo presidente da companhia comentou sobre como a empresa pretende se preparar para enfrentar um mercado de consumo cada vez mais fragmentado: “A compreensão da chamada jornada de compra está se tornando incrivelmente complexa. Os seres humanos não conseguem lidar com isso, por isso precisamos aumentar rapidamente o uso de aprendizado de máquina, inteligência artificial e big data”, declarou Jope.

Seja no alinhamento da Dove aos cuidados femininos ou na atribuição da sopa Knorr à luta contra a fome em países subdesenvolvidos, Polman alcançou com êxito a meta de inserir na Unilever o carimbo de um consumo com propósito.

Agora sob uma nova direção, o desafio da Unilever será manter os mesmo valores e propósitos abraçados pelo ex presidente e ao mesmo tempo modernizar suas operações e cortar gastos para expandir os lucros e atingir a meta de crescimento de 20%.

O objetivo, no limite, é evitar o aperto de 2017, quando a empresa foi alvo de uma oferta hostil por parte do fundo de investimentos 3G, do brasileiro Jorge Paulo Lemann. A Unilever quer mostrar que pode mudar a si própria.