Site vai registrar empresas que usam mal os dados cadastrais

Consumidor vai poder reclamar das companhias que enviam spam sem sua autorização

São Paulo – O e-mail é uma das formas atuais mais eficazes para fidelizar clientes e manter o contato com o público, mas nem toda empresa sabe lidar com essa ferramenta. É por isso que, no ano que vem, os consumidores poderão denunciar aquelas que fizerem mau uso dos dados cadastrais, enviando e-mails não-autorizados e spam indesejado. De acordo com Walter Sabini Júnior, conselheiro do Capem (Código de Autoregulamentação para a Prática de E-mail Marketing) e presidente da VIRID Interatividade Digital, o projeto do novo site já está pronto.

“Este site vai ser uma válvula de escape para os consumidores que se sentirem insatisfeitos com as companhias que tiverem práticas ruins de envio de e-mail”, diz Sabini. Além disso, a ferramenta vai criar uma lista com as empresas problemáticas, que poderão ter seus domínios bloqueados para o envio dos e-mails, caso mostrem que não estão agindo de forma adequada.

Por enquanto, ainda não há legislação sobre o tema no Brasil, mas estão tramitando, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, três projetos de lei criados em 2003 e 2004, que pretendem coibir e regulamentar o envio de e-mails comerciais. Há dois anos, o Capem foi criado justamente para adiantar a regulação e evitar a proibição do uso de e-mail no contato com consumidores. Mesmo sem força de lei, o código funciona como um guia para as empresas que querem instituir práticas mais adequadas para gerenciar a base de dados e clientes.   
 
As melhores práticas

Para Sabini, o consumidor ainda não sabe a diferença exata entre o e-mail marketing e o spam. Para ele, as empresas precisam melhorar o gerenciamento de dados para descolar a imagem de “lixo eletrônico” de seus e-mails usados para relacionamento com o consumidor. Ricardo Sleiman, presidente da empresa de tecnologia da informação ZipCode, considera que a melhor forma de gerenciar os dados cadastrais, e manter uma boa imagem, é enviar e-mails apenas para clientes que autorizarem o contato ou que já tenham relação anterior com a empresa.

“E todos os e-mails devem dar a possibilidade de interromper o recebimento das mensagens”, diz. Para Sabini e Sleiman, comprar bancos de dados de outras companhias está fora de cogitação. É possível fazer parcerias com outras companhias para atualização de cadastro já existente e “alugar” bancos de dados compostos pelo perfil do consumidor, que pode ter mais interesse em receber determinado tipo de mensagem.

De acordo com Sleiman, o ideal é que as empresas tenham um setor específico voltado para o gerenciamento destes dados. “E não só relacionado ao pessoal de TI, mas envolvendo também o marketing e o setor de vendas. Tem que ter uma base única na empresa, validar as informações e, depois, ir ao mercado para buscar as informações”, afirma o presidente da ZipCode.

Para Sabini, o e-mail não é a melhor forma de buscar novos clientes. “O melhor lugar para prospectar clientes é nas redes sociais. O e-mail é melhor para aqueles que já foram captados, é o pós”, diz. Segundo ele, essa ferramenta, se usada de forma positiva, pode ser uma boa fonte de informações para descobrir o desejo do consumidor. “Se fizer uma analogia, eu diria que o e-mail é como o vendedor na loja. Mas a empresa precisa ser ética e transparente para saber usar”, diz.