Shopping Vimave muda o perfil da Vila Maria

O tempo parece ter parado no coração comercial da Vila Maria, na zona norte de São Paulo. Sem os altos prédios e os luminosos digitais que marcam a imagem da capital, as empresas instaladas no local ocupam galpões e antigas casas portuguesas. As ruas estão tomadas por mercados, churrascarias, lojas populares, oficinas mecânicas e uma profusão desencontrada de placas.

Mas esse cenário vai sofrer um choque de modernidade, com a assinatura de alguém que entende do assunto. O arquiteto Ruy Ohtake, conhecido pela ousadia no trato com as formas, criou o projeto do Auto Moto Shopping Vimave, novo empreendimento do Banco PanAmericano, braço financeiro do Grupo Silvio Santos. “Vamos mudar o visual do bairro e o perfil das vendas”, diz Silvio Vartan Kouyomdjian, do PanAmericano, coordenador do projeto.

O PanAmericano vai desembolsar 12 milhões de reais no projeto e espera recuperar o investimento em oito anos. A busca de parceiros potenciais começa entre os próprios clientes. Em São Paulo, a carteira de veículos do banco tem 4.000 lojistas. O investimento, em parte, busca acompanhar o mercado. “O brasileiro prefere a comodidade e a segurança dos shoppings, e estamos transferindo esse conceito para o setor de veículos”, diz Maurício Bonafonte, diretor de Seguros e Consórcios do PanAmericano.

Mas Rafael Palladino, vice-presidente do PanAmericano, diz que a alteração no perfil do negócio também considerou a queda nos resultados da unidade: “Mudamos porque as concessionárias estão deixando de ser um negócio interessante”.

Desde sua fundação, há 35 anos, a Vimave operou como concessionária Volkswagen. A placa da montadora ainda está no prédio, mas o contrato foi encerrado em janeiro. Permanece no local uma revenda multimarcas. A tradição do nome Vimave em um mesmo ponto de venda é encarada como um trunfo pelos investidores.

Para receber o shopping, o prédio de 20 000 metros quadrados sofrerá uma reforma radical, que começa em agosto. A inauguração está prevista para setembro de 2003. O edifício, que ocupa um quarteirão entre as ruas Curuçá e Gávea, próximo à Guilherme Cotching, terá as fachadas cobertas por painéis de Ohtake com 8 metros de altura. O carro, em versões abstratas e futuristas, é o tema das peças. O material das placas ainda não foi definido (acrílico ou tela resinada), mas é certo que serão luminosas. Ohtake fez questão de incluir vitrines, com 3 metros de altura, para a exposição de veículos. “Procurei preservar o diálogo com a rua e os acessos para os pedestres”, diz Ohtake.

Internamente, o espaço será subdividido em 60 unidades, distribuídas em três pavimentos, para receber revendas multimarcas de novos e usados, lojas de acessórios e serviços mecânicos. O mix inclui ainda praça de eventos, quiosques e área para fast food, além de serviços de apoio para a realização de consórcios, financiamentos, licenciamento, seguros e leasing. A taxa de adesão para uma loja com cerca de 200 metros quadrados sai, em média, por 80.000 reais, divididos em 24 parcelas. O aluguel vai custar por volta de 6.000 reais. Os valores variam confome a localização e o tamanho da loja.