Sete marcas para 2017

O ano de 2016 foi difícil para marcas emblemáticas. Os motivos vão da crise econômica a problemas muito particulares, como celulares que explodem. Quais marcas dominarão o noticiário econômico nos próximos 12 meses? Nossas apostas são as seguintes:

AB Inbev

Depois de ter adquirido a cervejaria SABMiller por 104 bilhões de dólares, há poucas grandes companhias no setor de bebidas que estejam na mira da AB Inbev. A nova empresa tem um faturamento combinado na casa dos 65 bilhões de dólares. Ainda falta, portanto, um longo caminho para alcançar a meta de chegar a 100 bilhões em 2020, que garantiria um bônus estratosférico para seus executivos. Como chegar lá? Crescer 8,8% ao ano é uma opção, o que faria a empresa pisar no acelerador já em 2017. Outra opção, mais ao estilo Jorge Paulo Lemann, seria comprar um gigante como a Coca-Cola – ele mesmo já admitiu essa possibilidade.

Com a compra da SABMiller, a AB Inbev ficou com 54% das ações da maior distribuidora da Coca-Cola na África, que comercializa cerca de 40% de toda a produção no continente. A Coca-Cola não gostou: fechou um negócio de 3,5 bilhões de dólares para reaver a sucursal africana — na contramão do que acontece nos Estados Unidos, onde o movimento da Coca-Cola é de franquear no setor de engarrafamento, considerado de difícil administração e baixas margens. Lemann certa vez brincou que poderia adquirir a Coca-Cola e demitir mais de 100.000 funcionários para fazer a companhia funcionar apenas com 200. Vamos ver até onde ele vai em 2017.

Amazon

A varejista online Amazon, com certeza, foi uma das marcas que mais surpreendeu em 2016. A companhia de Jeff Bezos viu aumentar a demanda pelos produtos de automação de residência, Echo e Alexa, levados este ano para o Reino Unido e a Alemanha.

Outra frente de expansão foi o serviço Amazon Prime, que oferece desde facilidades nas compras pela Amazon até armazenagem ilimitada de fotos e vídeos. O serviço passou de 30 milhões de usuários em setembro de 2014 para mais de 70 milhões em setembro deste ano. É um dos principais responsáveis pelo bom desempenho econômico: a Amazon teve faturamento e lucros recordes em 2016, com as vendas crescendo 27,9% no ano, principalmente no segmento das operações de serviço em nuvem. Bom para os acionistas: as ações da companhia subiram 364% em 2016. A Amazon já anunciou que trará novidades para o serviço Prime já em janeiro de 2017.

iPhone

O icônico celular da Apple completa 10 anos em 2017. Especula-se uma edição especial do aparelho, o iPhone 8. Entre as mudanças, espera-se uma tela especial de alta-resolução em OLED que ocupe toda a superfície do aparelho e capacidade de recarga wireless. Mas as previsões são apenas previsões, já que a Apple é mestre em surpreender seus clientes – negativamente, nos últimos lançamentos.

Surpreender, por sinal, é o que a companhia, e seus investidores, mais precisam – 2016 o primeiro ano em que as vendas do iPhone recuaram e marcou também o primeiro tropeço financeiro em 13 anos, com queda no faturamento. O celular, responsável por 65% da receita da empresa, teve suas vendas reduzidas em 15% este ano. Não é o fim do mundo: a Apple ainda vende cerca de 40 milhões de iPhones por trimestre — mais de 300 aparelhos a cada minuto. Um analista da consultoria KGI Securities disse em nota a investidores que a empresa espera vender 150 milhões de aparelhos na segunda metade do ano que vem, depois do lançamento do já aguardado iPhone 8. Seria um retorno triunfal.

Nestlé

Pela primeira vez desde 1922, a fabricante de alimentos Nestlé indicou um não suíço para assumir a presidência. Ulf Mark Schneider, um alemão com 13 anos de experiência à frente de companhias no setor de saúde, assume a maior companhia de alimentos do mundo já em janeiro, com um movimento que deve levar a Nestlé ainda mais para o lado dos alimentos saudáveis e orgânicos.

Atualmente, a divisão de nutrição e saúde da companhia é uma das que mais crescem, responsável por 19% dos lucros, atrás somente do setor de bebidas. Schneider já disse que irá assumir diretamente a supervisão do setor. O mercado espera pelas fusões e aquisições que podem surgir para transformar a Nestlé em uma grande fabricante de alimentos saudáveis. E os investidores também: nos últimos três anos a companhia, que teve vendas nas casas dos 90 bilhões de dólares em 2015, não conseguiu atingir a meta nos seus setores mais tradicionais.

Samsung

A fabricante de eletrônicos Samsung teve um 2016 para se esquecer. Depois de um recall mal sucedido, a empresa sul-coreana teve que cancelar as vendas do seu modelo mais esperado do ano, o Galaxy Note 7, em decorrência de explosões e de baterias que pegavam fogo.

Em uma pesquisa feita após o recall, 34% dos entrevistados afirmaram que não comprariam um celular da Samsung novamente — 81% destes disseram que sempre tinham sido fiéis à marca. Com um iPhone 8 no horizonte e o novo celular do Google, o Pixel, correndo por fora, a Samsung já anunciou que trabalha duro para que seu próximo lançamento seja e

Tesla

A fabricante de automóveis Tesla não tem consumidores, tem seguidores. Elon Musk conseguiu reunir um grupo grande de pessoas que gostam não só dos produtos da Tesla, mas também da ideologia. O fato se respalda nos números: 373.000 pessoas aceitaram desembolsar 1.000 dólares cada para garantir o nome na lista de reserva do Modelo 3, carro popular da Tesla que custará em torno de 35.000 dólares e só deve sair no final de 2017.

Apesar disso, os seguidores parecem não ser suficientes para financiar os sonhos expansionistas de Musk, que, além de lançar um carro novo no ano que vem, quer também abrir uma fábrica de baterias em parceria com a empresa de energia solar Solar City, que se fundiu à Tesla em novembro, e se aventurar no mundo dos carros autônomos. É uma lista grande para se realizar em um país cuja indústria de energia renovável está ameaçada pelo novo presidente, Donald Trump, e seu gabinete repleto de magnatas da indústria petroleira. As ambições também devem depender dos números da Tesla: a companhia vinha apresentando fortes prejuízos até o terceiro trimestre do ano, quando lucrou 21 milhões de dólares, o primeiro lucro desde 2013 — em 2015, a Tesla queimou 889 milhões de dólares, bem acima dos 294 milhões de 2014.

Trump

Em dezembro de 2015, era difícil de acreditar que Trump deixaria de ser uma marca para ser o presidente dos Estados Unidos. Embora Donald, o homem que levou a empresa nas últimas décadas, agora seja um político, seus filhos mais velhos, Eric e Donald Jr., devem tomar conta de uma marca que ainda continuará existindo, apesar dos pesares da campanha. Notícias às vésperas das eleições afirmavam que diversos americanos estavam boicotando a companhia diante das ideias, no mínimo, controversas de Trump.

O desafio está em conciliar agora o lado público com o lado privado. A filha, Ivanka Trump, que já é tida como uma espécie de primeira-dama do presidente eleito está se distanciando da companhia e agindo como um braço político do pai. Ela já se reuniu com Leonardo DiCaprio e Al Gore, dois ativistas ambientalistas, e parece estar preparando um lobby em prol do cuidado infantil na saúde junto ao congresso. Em dezembro, ela leiloou um café com sua presença, que dava direito a 45 minutos de conversa. Embora as ofertas tenham chegado a 74.000 dólares ainda faltando dias para o encerramento, o leilão foi cancelado — críticas acusaram que o que estava à venda não era um café com uma mulher de negócios, mas acesso à família presidencial. Para os Trump há um longo 2017 em conciliar família, negócios e o país.