Serpro diversifica receitas no setor privado enquanto mira IPO

Maior estatal de tecnologia do país procura clientes no privados, e se prepara para buscar uma listagem em bolsa

São Paulo — O Serpro, maior estatal de tecnologia do país, está procurando cada vez mais clientes no setor privado, enquanto tenta ampliar e diversificar suas receitas em preparação para uma listagem em bolsa, disse o presidente da companhia, Caio Paes de Andrade.

“Neste ano conseguimos cerca de 800 clientes do setor privado, para 1,3 mil; nossa meta é ter 4 mil até o final do ano que vem”, disse Paes de Andrade em entrevista à Reuters.

Criado em 1964 para modernizar e agilizar setores estratégicos da administração pública, o Serpro tem cerca de 85% de sua receita total oriunda do setor público. Essa fatia já foi ainda maior, mas vem caindo nos últimos três anos após a empresa ter começado a vender processamento de dados públicos a clientes, que incluem desde os aplicativos de transportes Uber e 99 até bancos digitais e redes varejistas, como a Havan.

As empresas usam o processamento desses dados para formar modelos estatísticos que podem ajudar na prevenção de fraudes e de inadimplência, entre outros serviços.

Esse movimento ajudou o Serpro, cujo nome oficial é Serviço Federal de Processamento de Dados, não apenas a ampliar receita líquida, que chegou a 2,72 bilhões de reais em 2018, como sair de um prejuízo de 350 milhões em 2016 para um lucro de 460 milhões no ano passado.

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A previsão de Paes de Andrade é de que a receita cresça pouco mais de 10% em 2019. No ano até agosto, a receita líquida subiu 12,3% ante mesma etapa de 2018. E o lucro deu um salto de 77% na mesma comparação, como resultado dos movimentos para expandir o faturamento no mercado privado e tornar o Serpro um ativo mais atrativo para investidores, além de controle de custos.

Simultaneamente, a companhia vem se preparando para atuar em outras áreas da tecnologia da informação, como a oferta de serviços de computação em nuvem, fazendo parcerias com gigantes do setor, como a fechada como Google.

O Serpro também começa a desenhar serviços para enquadramento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), aparato regulatório sobre questões como o trato com informações sigilosas e que entra em vigor no ano que vem.

“Meu mandato é aumentar o valor da empresa”, disse Paes de Andrade. Levado ao Serpro pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o executivo é um veterano do mercado de tecnologia e um dos pioneiros da expansão da internet no país, Ele fundou o HPG, sigla para Home Page Gratuita, vendido para o iG em 2001, enquanto presidia a provedora de internet PSINet para a América Latina.

O Serpro entrou na lista de futuras privatizações do governo federal e seu caso será alvo de estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O resultado definirá se a empresa terá vendida uma parcela minoritária ou o controle. Questões envolvendo como ficariam as operações de processamento de dados do governo federal com uma eventual privatização da empresa também serão avaliadas nos próximos meses.

Segundo Paes de Andrade, embora ainda seja necessária a conclusão dos estudos do BNDES, é razoável imaginar que uma venda de participação na companhia aconteça durante o governo Bolsonaro.