Secretário vê como normal demora para acordo no caso Oi

O secretário também admitiu que é exacerbado o valor das multas regulatórias aplicadas contra a companhia, que respondem por R$ 11 bilhões das dívidas

São Paulo – O secretário de Telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, André Borges, classificou como “normal” o prazo demandado por credores e acionistas da Oi para chegar a um acordo sobre o encaminhamento do plano de recuperação judicial da operadora e acredita que o desfecho só virá “no fim do jogo, já na prorrogação”.

Além disso, Borges admitiu que é exacerbado o valor das multas regulatórias aplicadas contra a companhia, que respondem por R$ 11 bilhões das dívidas de R$ 65 bilhões dentro do processo.

“Com certeza tem luz no fim do túnel para a Oi. Fica difícil enxergar a luz no meio de tanta complicação, mas tem”, disse nesta quarta-feira,4, o secretário, após participar de palestra na Futurecom, feira que reúne empresários do setor de telecomunicações, em São Paulo.

“Há interesses divergentes em jogo, gente com dinheiro e poder. Acho normal que aconteça isso (demora para uma solução). Sei que processos de reestruturação são complexos e tendem a não acontecer rapidamente, pedem um tempo de maturação. Ele não vai acontecer antes disso. A tendência é de um desfecho no fim do jogo, já na prorrogação”, completou.

A Oi entrou em recuperação judicial em junho de 2016 e tem até o dia 11 de outubro para apresentar o novo plano que será apreciado na assembleia geral de credores marcada para o dia 23 deste mesmo mês. Um dos enroscos do processo foi a disputa da operadora para manter no processo as dívidas de R$ 11 bilhões com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) referentes a multas por infrações regulatórias. Para Borges, essas multas são como “uma pena de morte para a companhia”, dado o valor elevado e as dificuldades de pagamento.

Apesar disso, o secretário avaliou que não há medidas tomadas por acionistas e credores para travar de propósito o andamento das negociações. “A culpa (pela demora) é da complexidade. Entendo que ninguém esteja deliberadamente arrastando nada”, disse. “Acho difícil controladores e credores abrirem mão de algo relevante sem ter definições ou garantias”, completou, referindo-se às incertezas do processo.