Sea World luta para não deixar um filme afundar seu negócio

Documentário “Blackfish”, que estreou ontem nos Estados Unidos, explora condições das baleias nos parques da empresa

São Paulo – No dia 24 de fevereiro de 2010, a baleia orca Tilikum estava no meio de uma apresentação no Sea World de Orlando, na Flórida, quando arrastou sua treinadora Dawn Brancheau para o fundo do tanque e a matou na frente de centenas de espectadores chocados.

Nesta sexta-feira, estreou nos cinemas de Nova York e Los Angeles o documentário Blackfish, que examina as condições de baleias em cativeiro e o que as leva a cometer episódios de violência contra humanos, além de contar a história das outras duas mortes associadas a Tilikum.

O SeaWorld não se intimidou e começou um contra-ataque vigoroso: chamou o filme de enganoso e inexato e enviou uma carta para 50 críticos apontando inconsistências. A produtora Magnolia Pictures e a diretora Gabriela Cowperthwaite responderam publicamente rebatendo cada uma das acusações.

Baleias lucrativas

O SeaWorld se recusou a colaborar com a produção do filme, mas agora está colocando executivos e treinadores à disposição da imprensa para dar o seu lado da história. A empresa não quer correr o risco de que a publicidade negativa prejudique sua imagem e afaste sua maré boa de resultados. No ano passado, 24 milhões de pessoas visitaram seus 11 parques e sua receita chegou a quase 1,5 bilhão de dólares – um crescimento de 19% em dois anos.

Fundada em 1959 como parte da cervejaria Anheuser-Busch, a Sea World passou a ser negligenciada após a compra da empresa pela Inbev em 2008 e foi adquirida no ano seguinte pela multinacional de investimentos Blackstone. Em abril deste ano, o Sea World Entertainment estreou na bolsa americana e levantou 702 milhões de dólares.


Passado assombrado

Com o sucesso do IPO, a empresa parecia ter superado definitivamente o verdadeiro pesadelo de relações públicas que viveu após o incidente. O Sea World foi multado em 75 mil dólares e teve que se adequar a novas regulações que limitam o contato entre treinadores e animais na água.

Dois anos depois, a organização de defesa dos direitos dos animais PETA abriu um processo acusando a empresa de violar a Constituição americana ao escravizar as baleias. O caso acabou descartado pela Justiça e o valor da multa foi diminuído para 12 mil dólares. Tilikum voltou a fazer apresentações e o Sea World continuou a ganhar dinheiro.

Blackfish foi exibido pela primeira vez no festival de Sundance em janeiro deste ano e tem recebido críticas entusiasmadas. Sua distribuição será ampliada para outras cidades americanas nas próximas semanas, e a CNN já comprou o filme para uma exibição no dia 24 de outubro.

Assista ao trailer de Blackfish:

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