Seara começa a vender frango sem antibiótico por 40% mais

Linha DaGranja foi desenvolvida há dois anos pela empesa e chega ao mercado para atender pessoas que querem produtos mais saudáveis e práticos

São Paulo – Há dois anos a Seara investe em uma linha de frangos sem antibióticos, hormônios e conservantes – produtos que chegam às gôndolas dos supermercados nesta semana.

A empresa, que pertence ao Grupo JBS, ampliou e adaptou uma granja no interior de São Paulo especialmente para cuidar de toda a cadeia de produção, do ovo ao abate, da novidade.

O cuidado com o manejo das aves, treinamento de pessoas e processo em granja exclusiva fará com que os DaGranja custem cerca de 40% mais que os frangos convencionais da Seara.

Ainda assim, a empresa acredita que a concorrência não deve atrapalhar.

“Há espaço para os dois tipos de consumo e, com os itens DaGranja, queremos atender os consumidores que querem itens leves, saudáveis e práticos”, diz a Joanita Maestri Karoleski, presidente da JBS Foods a EXAME.com.

Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista sobre os investimentos na nova linha.

EXAME.com – Por que lançar uma linha sem antibióticos, sem hormônios e sem conservantes apenas agora?

Joanita Maestri Karoleski – Há uma tendência mundial de buscar produtos mais saudáveis e naturais e nós, como líderes mundiais na fabricação de frangos, estamos trabalhando há tempos em um processo que garanta isso.

EXAME.com – Há quanto tempo a empresa investe nessa nova empreitada?

Karoleski – Há dois anos criamos uma plataforma e estamos trabalhando toda a cadeira de produção para esse novo desafio. Em paralelo, desde que compramos a Seara (em 2013) associamos a marca a uma mulher contemporânea, mais moderna e saudável.

EXAME.com – Quanto foi investido na nova linha?

Karoleski – Não podemos abrir essa informação. A granja onde a linha será feita fica em Amparo, no interior paulista, já existia, mas foi moldada para esse processo que é bem diferente e que foi criado do zero. 

EXAME.com – Qual a expectativa de venda ou de retorno de investimento dessa nova linha?

Karoleski – Também não podemos comentar sobre isso, porque tudo é muito novo e para nós é estratégico. Os produtos já estão nas gôndolas de grandes e médias varejistas de todo país.

EXAME.com – Quanto os produtos serão mais caros que os frangos convencionais da Seara?

Karoleski – Estimamos um preço 40% maior em relação ao frango convencional. Trabalhamos bastante nos pontos de vendas para deixar claro os benefícios da nova linha em comparação aos produtos de frango convencionais.

EXAME.com – Como farão com que os DaGranja não concorram com os demais da Seara?

Karoleski – Achamos que os produtos não vão se contrapor porque há espaço para os dois no mercado e porque eles são destinados a públicos distintos.

O que pode acontecer é aumentar a demanda por frango de uma maneira geral. A Seara conta hoje com 50 itens diferentes de frango, desde resfriado a congelado, inteiro, caipira, assa fácil. Há opção para todos os gostos.

EXAME.com – Qual a expectativa de crescimento do segmento no país para este ano?

Karoleski – É esperado um crescimento de 2% a 3% do consumo doméstico de frango no Brasil para este ano. Nosso crescimento deve ficar um pouco acima disso.

EXAME.com – As pessoas costumam comprar mais frango, por ser mais barato, em momentos de aperto econômico, como o atual?

Karoleski – O crescimento de demanda por proteína acontece de forma equilibrada, mesmo na crise. O que percebemos nos últimos tempos é um aumento de itens que ofereçam praticidade e saúde. Como temos produtos de cortes diferentes, conseguimos atingir mais consumidores.

Nos últimos dois anos lançamos 100 produtos para varejo, uma boa parte deles em produtos funcionais, de hambúrguer, a pratos prontos e lasanhas.

EXAME.com – Sobre a JBS, qual a expectativa da companhia para este ano e 2016?

Karoleski – A tendência é fechar o ano, mesmo olhando o varejo retraído, com crescimento porque achamos que conseguimos fazer diferente e crescer, mesmo na crise.

EXAME.com – Hoje 85% da receita da JBS é em dólar, com exportação e operações fora do país. Com a retração no país e moeda desvalorizada, há uma tendência de deixar o país de lado?

Karoleski – De forma alguma. Exportamos muito do que produzimos no Brasil, mas sabemos que há muito o que crescer no mercado brasileiro ainda.

Os investimentos em mídia, lançamentos de produtos e melhoras de operação são prova disso.