Scientific Games pode ser rival da GTech em loterias

De olho no mercado brasileiro, a gigante americana poderá repetir aqui a ambígua relação com a GTech, que já operou loterias no Brasil

Brasília – De olho no mercado brasileiro, a gigante americana Scientific Games poderá repetir aqui a ambígua relação de rivalidade e proximidade com a GTech, que já operou loterias no Brasil. A Scientific Games chegou a processar a competidora em tribunal federal americano do Estado de Delaware em 2005, acusando a GTech de ter infringido patentes registradas.

O litígio entre as duas terminou anos mais tarde, e desde 2011, principalmente, ambas atuam em parceria em diversos leilões estaduais nos Estados Unidos para operarem loterias regionais.

No ano passado, por exemplo, as duas levaram o contrato de loteria do Estado de Illinois, domicílio eleitoral do presidente Barack Obama, e também da cidade de New Jersey, uma das maiores dos EUA. No Estado da Geórgia, a operação da Scientific Games e da GTech teve seu contrato prorrogado por mais cinco anos.

As disputas entre as duas, que envolviam em especial jogos online, ficaram no passado – a área de apostas pela internet é uma das que mais crescem nos Estados Unidos, e nada menos do que 8 Estados já contam com operações legais operadas pela Scientific Games.

A abertura do mercado de lotéricas é uma espécie de “mina” para os países. Isso ocorre porque, no curto prazo, a flexibilização do mercado permite a entrada de vários atores internacionais, que “modernizam” e disseminam os jogos, aumentando assim o pagamento de impostos.

Foi o que ocorreu na China, onde o mercado de loterias totalizou US$ 23 bilhões em 2012, segundo estimativas do mercado lotérico internacional.

O governo chinês já anunciou que prepara um novo detalhamento das regras de operação do mercado de loterias, que deve ser anunciado ainda neste ano, como forma de flexibilizar ainda mais a operação. Uma gigante de loterias chinesa, chamada 500.com, abriu capital nos EUA no mês passado.

Na Itália, a abertura do mercado de loterias instantâneas pouco depois da adesão ao euro, em 2002, produziu um salto gigantesco em pouco tempo. Nos quatro anos seguintes, as “raspadinhas” passaram de um volume anual de US$ 300 milhões para US$ 4 bilhões, além do salto das apostas online.

No Brasil, a abertura vem sendo defendida por meio de diversos canais. Um seminário será realizado em Fortaleza em junho, durante a Copa do Mundo, pela World Lottery Association, entidade que reúne os grandes players do mercado, como a Scientific Games e a GTech, para tratar do mercado local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.