São Paulo já tem mais de 30 clusters

<EM>Conciliando competição e colaboração, pólos no estado se especializam e exportam</EM>

O pólo calçadista de Birigüi, integrado há pouco mais de dois meses por um portal de internet exclusivo, é um dos mais de 30 Arranjos Produtivos Locais (APLs) do estado de São Paulo. Também conhecidos por clusters, no jargão em inglês, mais 500 se espalham pelo país, de acordo com levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em Birigüi, no interior paulista, mais de 166 empresas se uniram para disputar com os chineses o mercado dos Estados Unidos (clique aqui e veja mais detalhes na reportagem da revista EXAME).

Os APLs são aglomerações industriais, de agronegócio ou de serviços – como turismo – de um número significativo de empresas. Isolado, porém, o critério territorial não é suficiente para explicá-los. Além da vizinhança, deve haver uma especialização produtiva e um vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre produtores, prefeituras, associações empresariais, centros de pesquisa e instituições financeiras. O APL busca a convergência em termos de expectativas de desenvolvimento e garante compromissos de investimento no próprio território (clique aqui e leia abaixo os principais passos para o estabelecimento de um APL).

Um meio notabilizado na Itália para promover competitividade, no Brasil um acompanhamento realizado pelo Sebrae indica que ainda falta aos clusters brasileiros a consciência de que não se trata apenas de um movimento empresarial, mas de ampla parceria público-privada.

O governo do estado só reconhece formalmente um arranjo quando ele é constituído por solicitação de órgão governamental local ou associação de classe, ou a pedido de no mínimo trinta empresas regionais. A definição é necessária para o estado estabelecer contato direto e prover condições de crescimento, como o projeto de integração digital adotado pelo APL de Birigüi.

Arranjos Produtivos reconhecidos pelo Estado de São Paulo:
Arranjo Produtivo Setor
Americana têxteis
Amparo e Cerquilho confecções infantis
Bastos ovos
Birigüi calçados infantis
Campinas tecnologia da informação e equipamentos médicos
Espírito Santo do Pinhal, Garça e Piraju café fino
Franca calçados masculinos e café fino
Holambra flores
Ibitinga bordados e enxovais
Itapetininga hortifruticultura
Itatiba e Votuporanga móveis
Jales e Jundiaí frutas
Jaú calçados femininos
Laranjal Paulista e Vargem Grande do Sul cerâmica estrutural
Limeira jóias folheadas
Marília alimentos
Porto Ferreira cerâmica artística
Presidente Prudente couros e artefatos
Ribeirão Preto equipamentos odontológicos
Santa Gertrudes cerâmica de revestimento
São José do Rio Preto jóias de ouro
São José dos Campos aeroespacial
Tabatinga bichos de pelúcia
Fonte: Secretaria de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo de SP

Os sete principais passos para articular um Arranjo Produtivo Local:

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  1. investigação da existência de mercados compradores em escalas que justifiquem a ação associada e determinação dos mercados em que os produtos conseguem competir;

  2. levantamento das características e imposições legais, tributárias e até de usos e costumes dos mercados-alvo;

  3. avaliação dos produtos em torno dos quais se propõe a organização de um Arranjo Produtivo Local em termos de potencial volume de produção e necessidades, inclusive de financiamento, para atingir a escala necessária;

  4. análise das cadeias de comercialização existentes;

  5. verificação de alternativas de logística para uma comercialização mais competitiva;

  6. atualização de tecnologias, design e embalagens;

  7. busca de certificação para projetos e produtos.

  8. Fonte: Secretaria de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo de SP