Santander teve lucro global de 18% em 2018, alavancado pelo Brasil

O lucro líquido gerencial do Santander no Brasil foi a R$ 12,398 bilhões em 2018; país foi o que mais contribuiu para os lucros globais do banco, 26%.

O Banco Santander, o maior da zona do euro em capitalização, teve lucro de 7,81 bilhões de euros em 2018, alta de 18% pelos bons resultados na Espanha, e apesar do impacto negativo das taxas cambiais no Brasil e no México – informou a instituição nesta quarta-feira (30).

A entidade espanhola, presidida por Ana Patricia Botín, superou o esperado pelos analistas ouvidos pela agência de informação financeira FactSet, que previa um lucro de 7,68 bilhões de euros.

Os mercados receberam essa notícia com ânimo moderado.

Esse aumento se explica, em parte, pela menor presença de elementos excepcionais em relação a 2017.

Naquele ano, o lucro do Santander viu uma perda de 300 milhões de euros, devido aos custos de absorção do Banco Popular, à beira da falência.

Na Espanha em particular, o lucro do banco subiu 28%, graças ao aumento do número de clientes que têm o Santander como principal banco (+40%).

Importantes foram as contribuições do Brasil e do México, apesar do notório impacto negativo das taxas cambiais.

No Brasil, o lucro atribuído aumentou 2% (22% em euros constantes), até 2,605 bilhões de euros. Foi o país que mais contribuiu para os lucros globais do banco, 26%.

No México, o lucro atribuído aumentou 7% (+14% em euros constantes) até 760 milhões de euros, ajudado pelo lançamento de novas linhas de negócio como o financiamento de automóveis.

O ano foi difícil para a Argentina, porém, um país que, “desde setembro passado, é considerado uma economia de alta inflação”, segundo o comunicado.

O lucro do Santander se viu dividido por quatro, o que explica que, no conjunto da América Latina, tenha caído 1,6%.

A sombra do Brexit

Outro ponto negativo foi o Reino Unido, o terceiro maior mercado do Santander, com “um entorno de elevada concorrência e onde se continua tendo incertezas pelo Brexit”.

Essa situação está pressionando as margens, em um país onde o banco anunciou que fechará uma agência em cada cinco, no total de 1.270 vagas.

No mundo todo, o Santander conta com 13.217 agências, 1,5% a menos do que no final de setembro.

O número de funcionários aumentou ligeiramente, porém, e somava 202.713 pessoas no final do ano.

A margem de juros, equivalente ao volume de negócio, manteve-se estável (+0,1%), a 34,341 bilhões de euros.

O banco atribui isso às taxas cambiais, acrescentando que, em euros constantes, a margem aumentou 8,7%.

O percentual de créditos de cobrança duvidosa caiu para 3,73%, contra 3,87%, no final de setembro.

A taxa de recursos próprios (CET1 fully loaded), um indicador muito acompanhado pelos analistas e que mede a capacidade da entidade de enfrentar uma crise, situou-se em 11,3%, dois décimos a mais do que no final de setembro.