Samsung é a Sony de ontem, diz The New York Times

<EM>Sucesso da sul-coreana se deve à inco<SPAN>r</SPAN>poração do espírito que movia a concorrente japonesa, especialmente o envolvimento do alto escalão no desenvolvimento de novos produtos, combinada à delegação de poderes aos gerentes das linhas de pro

Há uma década, enquanto a Sony brilhava como a mais destacada companhia japonesa de eletrônicos, a sul-coreana Samsung era uma fabricante de televisores lutando para sobreviver à crise cambial da Ásia. Hoje a Samsung ostenta uma ampla gama de produtos e o apelo de uma marca reconhecida (que vale 12,6 bilhões de dólares). Tais atributos lhe conferem o dobro do valor de mercado da Sony (leia em reportagem de EXAME como a sul-coreana se tornou uma das dez empresas mais lucrativas do mundo).

O pior para a Sony é que a concorrência acirrada se dá em várias frentes. O mercado para tocadores portáteis de música está dominado pela Apple e, até mesmo as vendas de um produto criado pela Sony, a câmera digital, devem ser disputadas corpo a corpo com Kodak e Canon. Segundo o The New York Times, essa rápida virada de destinos ilustra o altamente competitivo mundo dos produtos de consumo eletrônicos. O preço das ações da companhia japonesa declinou quase 75% desde março de 2000, quando atingiu seu valor máximo. “A invencível fábrica de idéias parece ter perdido o rumo”, diz a reportagem.

Enquanto isso, a Samsung rapidamente consolidou-se como a anti-Sony. Em grande medida, diz o analista americano George Gilder, graças à incorporação do espírito que movia a concorrente. Para Silder, o que é mais impressionante na cultura corporativa da Samsung é o envolvimento do alto escalão na criação de produtos. “É como na Apple, onde Steve Jobs envolveu-se pessoalmente na concepção do iPod, ou na Sony nos tempos de Akio Morita [fundador da empresa], quando ele participava ativamente no desenvolvimento dos produtos.”

Um dos elementos do sucesso pode ser identificado na crescente delegação de poderes para gerentes atuando na vanguarda do processo produtivo. Além disso, quase um quarto dos 88 000 funcionários dedicam-se a pesquisa e desenvolvimento. Os resultados são visíveis: a Samsung obteve 10 bilhões de dólares de lucro em 2004 a partir de uma receita de 56 bilhões — e destinou 7 bilhões para gastos de capital. No ano fiscal que se encerra agora em março, a Sony espera chegar a um lucro de 1 bilhão de dólares, ante faturamento de 69 bilhões.