Rio Verde, alvo de Agnelli e BTG, inicia produção em abril

A mineradora analisa proposta de compra feita pela B&A Mineração, empresa do ex-presidente da Vale com o banco BTG Pactual, e os valores ainda estão sendo definidos

Rio de Janeiro – A Rio Verde Mineração, empresa canadense com projetos no setor de fertilizantes no Brasil, começa a produzir em abril no embalo do crescente mercado de insumos para a agricultura, afirmou o principal executivo da companhia no país.

A mineradora analisa proposta de compra feita pela B&A Mineração, empresa do ex-presidente da Vale com o banco BTG Pactual, e os valores ainda estão sendo definidos, disse à Reuters nesta quarta-feira o presidente da Rio Verde no Brasil, Luiz Maurício Azevedo.

A empresa de Roger Agnelli, que já possui 30 por cento do capital da Rio Verde, propõe comprar os 70 por cento restantes.

A companhia se prepara para produzir 100 mil toneladas de fosfato no próximo ano, a partir de seu projeto Sapucaia, no Pará, a 120 quilômetros de Belém.

“Este projeto é muito interessante porque a região não tem produção própria e importa toda a quantidade de potássio e fosfato, onde se concentra a produção de dendê”, afirmou Azevedo, em entrevista por telefone.

Além do Pará, a Rio Verde explora jazidas de fosfato no Maranhão e no Ceará. Também possui reservas de potássio no Sergipe, no município de São Cristóvão, onde pesquisas preliminares mostraram um expressivo potencial do mineral.


O volume de produção estimada da mina de fosfato, segundo o executivo, é suficiente para abastecer todo o Estado do Pará, além de uma parcela do mercado de fertilizantes do Maranhão e o norte do Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil.

Para 2014, a Rio Verde espera aumentar a produção de fosfato para cerca de 150 mil toneladas, disse o executivo.

“Imaginamos que os agricultores vão ter grande interesse em absorver nosso produto… neste ano vimos também forte alta de preços principalmente por causa da greve dos portos, que inviabilizou grandes importações”, disse.

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) informou nesta semana em estudo que, para dar conta de uma safra recorde de grãos, Brasil deve importar este ano o equivalente a 18,5 bilhões de dólares em insumos agropecuários, sendo que mais da metade é referente a fertilizantes.

O Brasil importa mais de 50 por cento das necessidades de fosfato e cerca de 90 por cento do consumo de potássio, e tende a aumentar a demanda cada vez mais, já que o país dispõe de grandes áreas agricultáveis e o consumo global por alimentos está crescente.

O mercado de fertilizantes é um dos segmentos da mineração considerados estratégicos pelo governo brasileiro, que poderá fazer leilões de áreas exploratórias de potássio e fosfato a partir do novo marco da mineração.

Apenas insumos para construção civil e projetos de fertilizantes, segundo o executivo, não foram afetados pela interrupção da emissão de novas outorgas de mineração –o governo suspendeu a maioria das outorgas para aguardar o processo de elaboração do marco.


O congelamento de novas outorgas de mineração pelo governo travou a entrada em operação de pelo menos 50 minas que já haviam sido aprovadas pelas autoridades brasileiras. As minas, de diversos tipos de produtos e prontas para produzir, fazem parte de um conjunto de 11,3 mil requerimentos de concessões de lavra paralisados no governo.

 Autoridades do Estado de Sergipe e geológos da Rio Verde anunciaram no ano passado grande descoberta de potássio a partir de uma jazida próxima a minas exploradas pela Vale no Estado nordestino.

Azevedo, porém, demonstra cautela com o projeto e diz que só deverá ser iniciado em 2017, se tudo der certo.

“No final de 2013 teremos os recursos… temos que ter em mente que a pesquisa precisa dar certo, nós estamos ainda em uma fase inicial”.