Renner tornará lojas mais atrativas para ganhar market share

A companhia teve vendas dentro do esperado para o Dia das Mães, mas o consumidor brasileiro está mais retraído em meio a dúvidas sobre o desempenho da economia

São Paulo/Rio de Janeiro – A Lojas Renner está investindo em pesquisa e na reforma de lojas para ganhar participação da concorrência, num mercado de consumo que enfrenta um crescimento menor, disse o vice-presidente financeiro da segunda maior rede de varejo de moda do Brasil, Adalberto Santos, nesta segunda-feira.

A companhia teve vendas dentro do esperado para o Dia das Mães, mas o consumidor brasileiro está mais retraído em meio a dúvidas sobre o desempenho da economia, disse Santos durante o Reuters Latin American Investment Summit.

“Não foi excepcionalmente bom, mas em linha com o que estávamos esperando”, disse o executivo. “Em abril, mantivemos o mesmo ritmo de crescimento do primeiro trimestre”, acrescentou. O Dia das Mães é o evento mais importante para o varejo brasileiro depois do Natal.

Para o executivo, o constante noticiário sobre a inflação em alta tem retraído os consumidores.

“É inegável, o consumidor brasileiro está um pouco mais retraído (…) Eu arriscaria dizer que a queda de confiança é o principal fator”, disse Santos.

Seus comentários reforçam a previsão de acirramento da competição entre os varejistas, depois que as vendas caíram no primeiro trimestre pela primeira vez desde 2008.

A companhia está investindo na reforma de 40 lojas este ano e em pesquisas de mercado para melhorar a experiência dos clientes e aumentar as vendas. Com isso, espera capturar as oportunidades de um cenário de menor crescimento, para o qual alguns competidores podem não estar preparados.

“A pizza não vai mais crescer na mesma velocidade”, disse.

Apesar do cenário incerto sobre os rumos da economia, a Renner não vê riscos para seu plano de se tornar a maior varejista de moda do Brasil em faturamento até 2021, quando espera já ter superado a rival C&A.


Segundo o executivo, a Renner não detectou mudança no valor médio de suas vendas, que têm se mantido em torno de 150 reais, e por isso está focando na melhora operacional para elevar a margem bruta.

“O mercado mudou para todo mundo, a luta é se concentrar na operação (…) o cliente não está disposto a pagar despesas desnecessárias da sua estrutura. Com esse foco é possível atravessar qualquer mau tempo”, disse Santos.

A varejista planeja chegar em 2021 com 408 lojas da Renner e 125 lojas da Camicado. Para a Blue Steel, que a partir de julho passará a se chamar Youcom, a estimativa é de inaugurar 400 lojas até lá.

Para 2013, o objetivo é inaugurar de 25 a 30 Lojas Renner, de 6 a 10 unidades da Camicado e 10 novos pontos de venda da Youcom. Segundo Santos, o plano de expansão para este ano e para 2014 já está praticamente garantido em relação aos aspectos contratuais e de pontos de venda.

“Nós não estamos preocupados com esta retração do consumo afetando nosso plano de expansão. (…) Na desaceleração, você ganha market share do pessoal que vai perdendo, tendo uma estrutura de custos mais enxuta”, disse.

Internacionalização

Embora o foco de médio prazo seja exclusivamente no Brasil, a companhia já começa a enxergar o momento em que abrirá filiais no exterior, “num prazo de quatro a cinco anos”. Embora considere países vizinhos os mercados externos mais óbvios, Santos evitou citar quais países são os de maior interesse.

Segundo o executivo, a chegada de novos concorrentes do exterior é uma preocupação secundária para a companhia, já que potenciais rivais aparentemente estão se concentrando em nichos de mercado ou crescendo de forma lenta.

Ele citou o caso da rede espanhola Zara, da Inditex, que ainda possui operação pequena no Brasil, e a inglesa TopShop, que deve se voltar para o público de mais alta renda.

“Nosso desafio é selar (nossa participação) na classe B, nosso principal público”, disse.

No primeiro trimestre, o lucro da Renner caiu 40 % sobre um ano antes, devido à maior alavancagem e a operações que ainda não atingiram a maturidade.