Remuneração dos conselhos de administração cresce até 70% em um ano

Não poderia haver melhor evidência de que as grandes empresas estão, finalmente, começando a levar a sério essa história de governança corporativa. Na sua mais recente pesquisa sobre remuneração, a consultoria Hay aponta a classe de executivos que teve maior aumento de rendimentos entre junho de 2002 e maio de 2003: os membros de conselhos de administração. E não foi pouca coisa. O salário de presidentes de conselho subiu, em média, 70%. Os conselhores externos normalmente contratados para verificar estratégias e contabilidade da empresa – tiveram aumento de 30%.

Como se explica um aumento tão significativo para profissionais não ligados ao resultado trimestral, especialmente numa época em que a maioria das empresas pratica uma contenção de despesas rígida? Parte da resposta é que os salários distribuídos a conselheiros, em média, é baixo. E é baixo porque, em geral, as empresas contratam figurões para simplesmente aparecer uma vez por semestre numa reunião de notáveis, comentar as últimas medidas econômicas do governo, lamentar a crise ou exultar com a conquista de um novo mercado e enaltecer uns aos outros.

Como nenhuma empresa é boba, só se pode atribuir esse aumento de salário a um aumento de trabalho dos conselheiros. Ou seja, o discurso da governança, que ganhou mais impulso depois dos escândalos corporativos do ano passado nos Estados Unidos, parece estar levando à contratação de executivos que efetivamente tenham o que contribuir nas discussões estratégicas e sejam obrigados a esmerar-se mais no acompanhamento dos negócios da empresa que aconselham e fiscalizam.

“Cada vez mais as corporações contratam executivos de fora, não submetidos aos controladores. A opinião dos conselheiros externos passou a contar muito”, diz Vicente Gomes, responsável pela pesquisa da Hay. “Os conselhos são fundamentais para dar mais clareza e transparência à administração. E, hoje, clareza e transparência são fundamentais para atrair novos investimentos.”

A remuneração dos membros do conselho de administração ainda se restringe, basicamente, a salários mensais. “Em geral, esses executivos ainda não recebem participação nos resultados e outros benefícios, como acontece com a maior parte dos profissionais”, diz Gomes.