Recuperação: lucro das empresas abertas cresce 14% no 3º tri

Juntas, as companhias listadas em bolsa no país acumularam lucros de 24,9 bilhões de reais de julho a setembro deste ano

São Paulo – Se para o consumidor a crise ainda pesa no bolso (e no desemprego), para as empresas de capital aberto no país, ela dá sinais de que pode estar começando a ir embora.

Alguns setores que tinham acumulado prejuízos bilionários no terceiro trimestre de 2015 diminuíram as perdas e outros até reverteram os números para o azul neste ano.

O resultado disso é que, juntas, as companhias listadas em bolsa acumularam lucros de 24,9 bilhões de reais de julho a setembro deste ano, contra 21,7 bilhões de reais no mesmo período do ano passado, um aumento de 14,19%.

No segundo trimestre, os ganhos haviam encolhido 24%.

Os dados são da Economatica e levam em conta os demonstrativos financeiros de todas as 313 corporações que apresentaram resultados no terceiro trimestre de 2015 e 2016, com exceção de Petrobras, Eletrobras e Vale.

Essas três companhias foram retiradas da amostra porque tiveram elevado crescimento ou queda do lucro, o que distorce a comparação.

As holdings também não entram na listagem e os números são nominais, ou seja, não consideram a inflação.

O setor de Siderurgia e Metalurgia, que sofreu pesado com a queda de demanda, já apresenta recuperação e é um dos grandes responsáveis pela melhora do indicador. As 20 empresas do segmento diminuíram o prejuízo registrado entre o ano passado e este.

No terceiro trimestre de 2015, elas haviam apresentado perdas de 3,6 bilhões de reais, coletivamente. Agora, o número caiu para 315,1 milhões – uma diferença de 3,33 bilhões de reais.

A área de transportes e serviços também apresentou bom desempenho. As 12 companhias do nicho saíram de um prejuízo de 2,04 bilhões de reais em setembro do ano passado para um lucro de 1,26 bilhão de reais 12 meses depois.

O setor de papel e celulose foi outro que teve resultados animadores. As cinco empresas do segmento, juntas, tiveram lucro de 108,64 milhões de reais no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de 2,94 bilhões de reais um ano antes.

Na outra ponta, os ganhos dos bancos foram os que mais encolheram, mas eles ainda representam o maior volume da amostra setorial. Em setembro do ano passado, as 24 instituições financeiras acumulavam lucro de 17,14 bilhões de reais. Agora, o número caiu para 13,44 bilhões de reais.

O ramo de alimentos também foi prejudicado, apesar de ainda ser o segundo mais lucrativo. As 13 companhias que compõem tiveram um lucro de 4,52 bilhões reais no terceiro trimestre, contra 7,18 bilhões de reais um ano antes.

Dos 25 segmentos analisados pela Economatica, 14 apresentaram crescimento da lucratividade. Só seis deles apresentaram prejuízo de julho a setembro. Veja na tabela:

Setor Resultado no 3º tri 2015 Resultado no 3º tri 2016 Variação Quantidade de empresas
Siderurgia e metalurgia R$ -3,64 bilhões R$ -315 milhões R$ 3,33 bilhões 20
Transporte e serviços R$ -2,04 bilhões R$ 1,26 bilhão R$ 3,31 bilhões 12
Papel e celulose R$ -2,094 bilhões R$ 108,64 milhões R$ 3,05 bilhões 5
Água e saneamento R$ -481,46 milhões R$ 786,23 milhões R$ 1,26 bilhão 5
Exploração de imóveis R$ -781,26 milhões R$ 248,83 milhões R$ 1,03 bilhão 10
Energia Elétrica R$ 1,18 bilhão R$ 1,97 bilhão R$ 789,84 milhões 36
Mineração R$ -602,69 milhões R$ -48,18 milhões R$ 554,51 milhões 3
Agronegócio e pesca R$ -171,87 milhões R$ 3,83 milhões R$ 175,71 milhões 4
Eletroeletrônicos R$ -45,08 milhões R$ 125,93 milhões R$ 171,01 milhões 4
Software e dados R$ 977,13 milhões R$ 1,07 bilhão R$ 98,02 milhões 6
Serviços médico-hospitalares e diagnósticos R$ 148,93 milhões R$ 238,35 milhões R$ 89,41 milhões 4
Máquinas industriais R$ 159,88 milhões R$ 240,15 milhões R$ 80,27 milhões 4
Telecomunicações R$ -22,99 milhões R$ 13,63 milhões R$ 36,62 milhões 6
Têxtil R$ 215,17 milhões R$ 234,34 milhões R$ 19,17 milhões 22
Minerais não metálicos R$ 16,43 milhões R$ -7,62 milhões R$ -24,05 milhões 3
Petróleo e gás R$ 125,013 milhões R$ 62,81 milhões R$ -62,19 milhões 6
Seguradoras R$ 1,45 bilhão R$ 1,35 bilhão R$ -101,22 milhões 4
Química R$ 1,54 bilhão R$ 1,27 bilhão R$ -274,63 milhões 10
Veículos e peças R$ 132,08 milhões R$ -161,62 milhões R$ -293,71 milhões 13
Comércio R$ 19,78 milhões R$ -287,18 milhões R$ -306,96 milhões 18
Serviços educacionais R$ 524,15 milhões R$ 64,98 milhões R$ – 459,16 milhões 4
Outros R$ 1,82 bilhão R$ 883,40 milhões R$ -943,09 milhões 57
Construção R$ -196,51 milhões R$ -2,16 bilhões R$ -1,97 bilhão 20
Alimentos e bebidas R$ 7,18 bilhões R$ 4,52 bilhões R$ -2,65 bilhões 13
Bancos R$ 17,14 bilhões R$ 13,44 bilhões R$ -3,69 bilhões 24
Total sem Petrobras, Vale e Eletrobras R$ 21,71 bilhões R$ 24,93 bilhões R$ 3,22 bilhões 313

Com as gigantes

Se incluídas na amostra a Petrobras, a Vale e a Gerdau, o lucro das 316 empresas de capital aberto no país soma 11,18 bilhões no terceiro trimestre deste ano, contra 7,27 bilhões de reais no mesmo período do ano passado, um crescimento de 53,7%.

Juntas, essas gigantes tiveram prejuízos de 14,4 bilhões de reais de julho a setembro. A Petrobras sozinha perdeu 16,45 bilhões de reais. A Eletrobras teve lucro de 862,73 milhões de reais e a Vale de 1,8 bilhão de reais.