RBS profissionaliza gestão e traz Pedro Parente como principal executivo

O carioca Pedro Parente assumiu na manhã desta segunda-feira (3/2) o cargo de vice-presidente executivo do grupo gaúcho RBS, o maior grupo de comunicação do Sul do país. E já tem o seu primeiro desafio na iniciativa privada: a partir de agora, ele é o principal executivo de grupo gaúcho, dono de seis jornais, 21 estações de televisão, 24 de rádio e um portal na Internet, entre outros negócios.

Especialista em finanças públicas, Parente ocupou vários cargos na área econômica do governo. Em maio de 2001, assumiu a coordenação da Câmara de Gestão da Crise de Energia e, em março de 2002, ocupou interinamente o Ministério das Minas e Energia. Funcionário de carreira do Banco Central, ele formou-se em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Brasília, em 1976. É um senhor desafio ir para a iniciativa privada , diz Parente. Para o país, não tem a relevância dos outros desafios, mas para mim é um grande desafio pessoal e profissional.

Parente diz que foi procurado pelo consultor Guilherme Dale, da Spencer&Stuart, em setembro do ano passado. A consultoria foi contratada pela RBS para procurar um executivo que assumiria as funções operacionais das quais a família Sirotsky, controladora da RBS, está se afastando. Só na terceira conversa é que eu soube que tratava-se da RBS , diz Parente.

A partir de agora, o presidente da RBS, Nélson Pacheco Sirotsky irá se dedicar à representação institucional da empresa, à orientação editorial e a temas estratégicos como a participação da empresa na operadora de TV a cabo Net. Parente ficará cuidando de toda parte operacional do grupo, baseada em Porto Alegre. A partir de maio, ele passa a fazer parte também do comitê editorial da empresa. Embora eu não precise, achei que era necessária uma quarentena nessa área , diz Parente.


Com a entrada de Parente, os atuais vice-presidentes Pedro Sirotsky e Carlos Melzer, ambos da família controladora, devem se afastar de suas funções nos próximos meses. Parente irá se reportar diretamente a Nélson Sirotsky.

O novo vice-presidente executivo diz que deve levar algum tempo para conhecer melhor o setor de comunicação, mas acredita que está preparado para atuar na iniciativa privada. No setor público, as decisões demandam mais tempo e a responsabilidade é diluída , diz ele. Na empresa privada, o processo decisório é mais simples e as responsabilidades mais claras.

Quanto à atual crise do setor de comunicação, com diversas empresas em situação difícil, Parente diz que existe uma instabilidade que atinge todos os setores e que uma guerra dos Estados Unidos contra o Iraque só iria piorar a situação. Nos últimos anos, especialmente a partir de 2000, houve uma redução de receitas de publicidade , afirma Parente.

Segundo ele, essa queda de receitas afetou em especial as mais endividadas. A RBS está procurando se antecipar a essas questões , diz Parente. Temos uma dívida externa a vencer somente em 2007 e não temos a premência que outros grupos têm de resolver imediatamente. Podemos trabalhar com antecedência essa questão.