Queda na Etiópia nubla futuro da Boeing, um gigante de US$ 200 bilhões

Governos e companhias aéreas mundo afora, como a brasileira Gol, suspenderam operações com o modelo 737 Max 8, que tem 5 mil unidades encomendadas

Um avião nunca cai por um único motivo, dizem os especialistas em segurança aérea. Ainda assim, a queda de uma aeronave da Ethiopian Airlines, matando 157 pessoas no domingo, tem sido um duro golpe para uma das gigantes da aviação mundial, a americana Boeing.

A fabricante responsável pela aeronave que caiu, um 737 Max 8. Foi a segunda queda de um Max 8 em poucos meses, após um acidente com a indonésia Lion Air, que matou 189 pessoas em outubro. A coincidência chamou a atenção de autoridades, sindicatos de pilotos e empresas parceiras, que ao longo do dia de ontem anunciaram uma onda de restrições a novos voos com o modelo.

No Brasil, a Gol, maior empresa aérea do país, suspendeu as operações com a aeronave. A companhia tem sete Max 8 em operação, voando para Estados Unidos, América do Sul e Caribe. Fora o desafio logístico de reorganizar os voos previstos, a empresa tem outros 133 Max 8 encomendados para os próximos anos, o que faz o acidente na Etiópia um ponto de incerteza sobre seu futuro. As ações da companhia caíram 2,9% ontem.

Mundo afora, países como Singapura, Austrália, China, Indonésia e Etiópia suspenderam as operações com o Max 8 em todos os seus aeroportos. Agências reguladoras dos EUA vão ordenar que a Boeing faça mudanças nos softwares da aeronave depois de encontrarem similaridades entre os acidentes da Indonésia e da Etiópia. Ainda assim, segundo as autoridades, é cedo para apontar falhas da fabricante — tanto que os voos com o 737 Max 8 continuam autorizados no país.

As ações da Boeing caíram 5,3% na bolsa de Nova York nesta segunda-feira, a maior queda diária desde os atentados de 11 de setembro. A linha 737, lançada há 50 anos, é a mais vendida e mais bem-sucedida da história da aviação comercial. A nova linha foi lançada em 2017 e tem 351 aeronaves em uso, e mais de 5 mil encomendadas.

A fabricante está entre um cenário ruim, com possíveis atrasos na entrega das aeronaves, caso não se comprove maiores responsabilidades nas quedas, e outro caótico, com a comprovação de eventuais falhas. A análise das caixas pretas achadas ontem deve levar dias, e será analisada com lupa.