Quase uma universidade

Um campus em Santo Amaro coroa a expansão do Senac no ensino superior

Depois de se tornar sinônimo de ensino profissionalizante de qualidade, o Senac paulista consolida sua entrada no competitivo mundo do terceiro grau. Com um investimento de 200 milhões de reais na construção de um campus para mais de 14 mil alunos, o Senac pretende se tornar nos próximos anos uma referência no ensino superior paulista. Mas engana-se quem imagina que o Senac vá abrir cursos conhecidos e concorrer com as faculdades já existentes. “Não queremos ser uma faculdade a mais”, afirma Juan Pablo Garulo Rico, gerente de desenvolvimento educacional do Senac de São Paulo. “Vamos ocupar lacunas do mercado, formando os profissionais que as empresas precisam.”

A estratégia do Senac para invadir um nicho com mais de 50 faculdades concorrentes é a de taylor-made, a criação de produtos sob medida para a necessidade do mercado. Foi essa filosofia que fez o Senac abrir em meados dos anos 90 escolas para design de internet e moda, áreas que ainda colhem os frutos da expansão naquela época. O exemplo mais vistoso da política de integração com as empresas é o curso de hotelaria, o primeiro com diploma universitário do Senac, aberto em 1989. “Lançamos o curso pouco antes da chegada ao país das grandes redes de hotelaria internacional”, conta Garulo Rico. Os hotéis-escola do Senac em Águas de São Pedro e Campos do Jordão se tornaram referência para a formação de funcionários de empresas como a rede hoteleira francesa Accor e a cadeia de lanchonetes McDonald’s. Do curso de hotelaria, o Senac produziu dois outros, o de turismo e o de gastronomia. No início do ano que vem, será oferecido pela primeira vez o curso de administração de serviços de saúde.

O novo campus, em construção num terreno de 122 mil metros quadrados na antiga fábrica da Walita, na região de Santo Amaro (zona sul de São Paulo), deve ser inaugurado em 2003. Hoje o Senac tem 3,7 mil alunos em sete cursos de bacharelado. A decisão de investir em ensino superior faz parte da evolução das exigências do mercado. Quando foi criado, na década de 40, o Senac paulista oferecia instrução para crianças de até 14 anos que quisessem se tornar aprendizes de comércio. Depois vieram os cursos de contabilidade e de línguas estrangeiras. Hoje, com mais de 60 cursos técnicos, uma rede de televisão UHF, um dos melhores estúdios de fotografia do país e uma editora, o Senac amplia seus planos. E sempre com uma mentalidade de mercado. Nas estimativas internas, 90% do investimento no campus será recuperado em dez anos.