Promon é a empresa da década

A companhia manteve a maior regularidade dentre todas as que já subiram ao topo da lista desde que o prêmio foi criado

Em agosto de 2000, a Fiat, baseada em Betim, Minas Gerais, foi tema de reportagem de capa da revista EXAME. Sob a manchete Mamma Fiat, a capa revelava que a montadora italiana era a melhor empresa para trabalhar no Brasil naquele ano. Desde então, sucessivamente, McDonald’s, Siemens Metering (atual Landis+Gyr), Magazine Luiza, Todeschini e Promon ganharam o mesmo título, além da Masa, a top deste ano. Em comum entre essas seis empresas está o fato de terem sido eleitas pelos próprios funcionários. E a paulistana Promon se destaca pela regularidade: esteve 10 anos no Guia, quatro vezes entre as 10 melhores, uma vez campeã. Também foi a empresa que mais colecionou estrelas enquanto o Guia utilizou esse critério para avaliar os vários aspectos que compõem uma excelente empresa para trabalhar. De 1997 a 2005, obteve 335 estrelas. Foi seguida pelo Magazine Luiza (297), Nestlé (282) e Tigre (281). Por essas razões, o Guia EXAME-VOCÊ S/A de 2006 elege a Promon como a melhor empresa da década para trabalhar.

Durante os dez anos em que está no Guia, a Promon soube manter seus funcionários comprometidos mesmo em momentos de crise. A empresa precisou reinventar seu negócio diversas vezes nesse período. Inverteu, por exemplo, a dependência que tinha dos contratos com estatais indo buscar clientes no setor privado. Foi forçada a isso pelo processo de privatização dos anos 90 e pela entrada de novos concorrentes estrangeiros. Outro momento difícil foi o estouro da bolha da internet. A empresa havia feito uma grande aposta nos negócios online e, como o resto do mundo, se deu mal. Resultado: a demissão de 400 pessoas de uma única vez. Muitas empresas passam por situações assim. A diferença na Promon é a forma como as demissões foram feitas. O próprio presidente, Luiz Ernesto Gemignani, reuniu todos para informar da decisão e os seus motivos. No fim do mesmo dia, uma romaria se formou à sua porta. Eram demitidos agradecendo e se colocando à disposição para quando a situação melhorasse. Luiz Ernesto até hoje se emociona ao contar essa história. “As crises fortaleceram os laços com os nossos funcionários e a união entre as pessoas”, diz. “E isso só foi possível porque temos uma cultura organizacional fundamentada em princípios e valores humanos.”

A Promon é a empresa da década pelo conjunto do que conquistou nestes 10 anos do Guia. Veja a seguir o que fez diferença para que ela e para que as outras seis organizações fossem campeãs em cada ano.

2000 Fiat
Mamma Fiat
A melhor empresa de 2000 chegou ao posto por sua incrível capacidade de fazer os então 12 000 funcionários (hoje são 9 000) acreditarem que o trabalho é uma extensão da própria casa.No meio da fábrica, há famílias inteiras sob o mesmo teto. A empresa não apenas aceita a convivência,como dá preferência no recrutamento às indicações de quem já trabalha ali.”No mundo competitivo atual, ter uma empresa com pessoas felizes é um diferencial. Isso significa que poderemos enfrentar qualquer desafio em conjunto e rapidamente”, disse na época o italiano Gianni Coda,então superintendente da Fiat.”Mas não faço isso sozinho.”A reportagem de EXAME destacou na época a agilidade,a flexibilidade,a competitividade e a capacidade de inovação da montadora.Saiu de Betim,por exemplo,o primeiro carro 1.0.Em 1999,a Fiat havia sido a única entre as quatro grandes montadoras do país a registrar lucro.
Benefício que chamava a atenção
A lista de pequenos e grandes agrados incluía o enxoval no nascimento do filho, carro para levar à igreja a filha que se casa e a festa de debutante das meninas de 15 anos
O que aconteceu depois
A Fiat decidiu não mais participar da pesquisa das melhores empresas
2001 Mc donald’;s
Adoramos tudo isso
O crescimento pessoal e profissional,as oportunidades de carreira, o reconhecimento dos que estão dispostos a ensinar e a aprender e a transparência foram alguns dos fatores que deram ao McDonald’;s o título de melhor empresa de 2001. A empresa se destacou ainda pela rotatividade de funções,o que permitia a todos os colaboradores se tornarem generalistas.O plano de carreira, a avaliação de competências e de desempenho e mais os de aperfeiçoamento completavam o pacote de desenvolvimento.Na época,a empresa empregava 36 000 pessoas e mantinha um ritmo acelerado de crescimento.Abria uma média de 80 restaurantes por ano.Para dar conta da expansão,o recrutamento era intenso, mas a prioridade na hora das promoções era sempre para o time da casa.De cada dez pessoas promovidas, sete já trabalhavam na rede.O fato de ser reconhecida como fonte de primeiro emprego para universitários levava 40 000 jovens a deixar currículo na empresa anualmente.
Benefício que chamava a atenção
Nos escritórios,o expediente às sextas-feiras termina ao meio-dia; depois de dez anos de casa,todos têm direito a 60 dias de “sabático”
O que aconteceu depois
A empresa esteve na lista das 10 melhores em 2002 e 2003. Não aparece desde então
2002 Landis+Gyr
O desafio da simplicidade
Naquele ano, seu nome ainda era Siemens Metering, fruto de uma associação entre a alemã Siemens e o grupo paranaense Inepar.Landis+Gyr veio no ano seguinte.Independente do nome, essa nunca foi uma empresa que tenha se destacado por sua presença na mídia. Suas vendas às distribuidoras de energia estão mais atreladas aos ciclos econômicos do país do que a campanhas de marketing.Seu produto – aquele reloginho que determina o valor da conta de luz em sua casa – nem chega diretamente ao consumidor final.Mas isso não é problema.O que a tornou a melhor empresa de 2002 foram coisas intangíveis encontradas dentro da fábrica,em Curitiba (PR): comunicação constante, um punhado de benefícios e ambiente familiar.A transparência nas informações é usada como espécie de escudo contra o paternalismo. Fica claro que,quanto melhor o resultado da empresa, maior a chance de incrementar a remuneração.
Benefício que chamava a atenção
Bolsas até a universidade (incluindo os filhos); reuniões trimestrais do presidente,Álvaro Dias,no chão de fábrica
O que aconteceu depois
Como Landis+Gyr,se manteve no grupo das 10 em 2004,2005 e 2006
2003 Magazine Luiza
Razão & sensibilidade
O Magazine Luiza tinha pouco mais de 3 000 funcionários quando foi eleita a melhor empresa para trabalhar no país. Agora, tem quase 9 000.Já naquela época,a empresa sediada em Franca (SP) sustentava um crescimento acelerado,inaugurando cerca de 50 lojas por ano.No coração do negócio estava (e está) Luiza Helena Trajano,que comanda a rede de lojas desde 1991.Carismática,Luiza Helena investe grande parte do seu tempo nas pessoas. Entre muitas outras práticas,Luiza criou o rito da comunhão. Todas as segundas-feiras de manhã,os funcionários falam sobre objetivos alcançados e desafios a vencer.Cantam o Hino Nacional e o da empresa.Rezam o Pai-Nosso.O rito não é obrigatório,mas todo mundo vai.A cada dois anos,o Magazine realiza o chamado Encontrão,quando todos os funcionários se reúnem para discutir o futuro da companhia.
Benefício que chamava a atenção
Oportunidades de carreira; subsídio de até 50% para qualquer curso
O que aconteceu depois
A empresa foi a 4a melhor de 2004 e a 8a do ano passado
2004 Todeschini
Gaúcha com muito orgulho
Na indústria de móveis de Bento Gonçalves (RS), a política é recompensar cada esforço do funcionário que a ajuda a ser mais competitiva e crescer.Pelo Programa Libra Sisterlina – o nome foi inspirado no Sistema Todeschini de Excelência (Siste) -, cada boa idéia implantada vale sisterlinas.Todo mês, essa moeda é convertida em reais.Quanto mais eles contribuem para a empresa, mais ganham.O resultado dessas e de outras ações especiais é um time altamente comprometido, como mostram frases de funcionários citadas no Guia de 2004:”Somos referência”;”Sinto-me um pouco dono da empresa”; “O produto Todeschini leva um pouco de nós”.Graças a essa motivação, a empresa estava crescendo num ritmo de 15 milhões de reais por ano.Em 2000,o faturamento foi de 135,4 milhões.Em 2003, de 190 milhões. Resultado que só pode ser alcançado graças ao envolvimento da equipe. Aliás, comprometimento é o que não falta por lá.
Benefício que chamava a atenção
Creche; a fazenda de reflorestamento é usada para lazer pelo pessoal
O que aconteceu depois
Ela já havia aparecido entre as 10 em 2001,2002 e 2003.Voltou à lista em 2005
2005 Promon
A vitória da inovação
Na Promon é assim: no primeiro dia de trabalho,o funcionário já tem direito a comprar ações da companhia.Quando vai embora, tem de vendê-las à própria empresa.Dessa forma, os donos da Promon são as pessoas que efetivamente trabalham lá. E cabe a elas decidir os rumos do negócio. Os funcionários-acionistas estão diretamente envolvidos na avaliação dos resultados financeiros, na elaboração do planejamento estratégico e na escolha dos dirigentes da empresa, incluindo o presidente.O lucro geralmente é dividido em três partes: uma é distribuída entre todos os funcionários, como PLR; outra é repartida entre os que são acionistas; e a última é investida na empresa.Dependendo do momento que ela vive, essa conta pode variar.Se não há necessidade de tantos investimentos na organização,o lucro que vai para os funcionários pode aumentar,e vice-versa. O salário costuma ficar na faixa do mercado.Mas, se alguém não está satisfeito,pode fazer uma contraproposta.
Benefício que chamava a atenção
Autoproposição salarial; salário integral em caso de licença médica; subsídio para terapias alternativas
O que aconteceu depois
Pela quarta vez,a empresa volta à lista das 10 melhores do país para trabalhar