Programa Minha Casa, Minha Vida dispara lucro da PDG Realty

Mais da metade unidades lançadas pela companhia estão dentro do programa habitacional do governo para a baixa renda

São Paulo – Dias depois de incorporar a construtora Agre e se tornar uma gigante do setor imobiliário, a PDG Realty apresenta resultados bem expressivos no primeiro trimestre deste ano. A companhia apresentou receita líquida de 613,2 milhões de reais, aumento de 96% em relação ao primeiro trimestre de 2009, e uma margem bruta no período de 34%. O ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) atingiu 156,8 milhões de reais no trimestre, valor 81% maior em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números refletem o esforço da companhia em abocanhar uma fatia cada vez maior de participação no segmento de consumidores da classe C. Tanto que 56% das unidades lançadas pela incorporadora estão dentro do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. “Somos hoje a empresa que mais apresenta projetos para aprovação na Caixa Econômica Federal, principalmente pela estratégia de atender consumidores de baixa renda que estamos adotando”, disse Michel Wurman, vice-presidente financeiro e de relações com Investidores da PDG Realty durante a teleconferência de resultados feitas na manhã desta sexta-feira (7/5) (clique aqui para ler a cobertura do evento).

O valor geral de vendas (VGV) no período foi de 846 milhões de reais, distribuídos em 33 projetos. Deste valor, 89% das vendas foram destinadas ao público interessado em imóveis considerados econômicos, unidades que possuem preços de até 250.000 reais. Mais da metade desses imóveis foi destinada a consumidores da classe C, com imóveis de valor médio de 132.000 reais da unidade. A rentabilidade que a companhia vem conquistando com o atendimento a esse público é tanta que a estratégia é hoje intensificar a construção de casas por meio do sistema de pré-moldados Jet Casa da companhia. Essa tecnologia permite, segundo a companhia, um maior controle de qualidade e economia no custo da obra, além da redução do tempo de construção e menor dependência de mão-de-obra. Se em 2009 apenas 2.500 casas construídas pela PDG seguiam esse modelo, este ano a previsão é de que o número suba para 10.000.

Classe D na mira

Gustavo Janer, analista financeiro e de relações de investidores, afirma que a companhia ainda não consegue atender os consumidores de classe D. “Estamos estudando maneiras de atender esse público, talvez com a construção até de pequenos prédios de três, quatro andares”, comentou o executivo. “É financeiramente inviável, para nós, oferecer os mesmos imóveis econômicos que oferecemos hoje por preços mais baixos”.

Outra peculiaridade estratégica da PDG demonstrada em seu balanço tem relação com as regiões escolhidas pela companhia para os lançamentos de imóveis econômicos. De 2007 para cá, a empresa vem gradativamente direcionando suas novas unidades para o interior paulista e não para a capital como fazia antes. Se em 2007, 49% dos lançamentos eram localizados na cidade de São Paulo e o restante nas outras cidades, em 2009 apenas 13% foram para a região paulistana. No primeiro trimestre deste ano, 44% foram focados no interior e 1% na capital, ação que comprova a tendência da companhia de investir mais em terrenos e construções em regiões menos exploradas.