Prefeitura de cidade na Suécia institui jornada de 6 horas

Metade dos funcionários públicos de Gotemburgo trabalhará seis horas diárias por um ano e a outra metade fará a jornada normal

São Paulo – A Suécia sai na frente mais uma vez na busca pela qualidade de vida. A prefeitura de Gotemburgo, segunda maior cidade do país, atrás apenas da capital Estocolmo, decidiu adotar, por um ano, a jornada de trabalho de seis horas diárias.

Metade dos funcionários da prefeitura fará a jornada mais curta, ganhando o mesmo salário. A outra metade (que deve estar espumando de raiva no momento) permanecerá trabalhando as 40 horas semanais.

A prefeitura espera que a turma com menos horas diárias de trabalho apresente-se, ao fim do período de testes, mais saudável e mais produtiva. 

“Nós vamos comparar os resultados e ver como eles diferem entre si”, afirma Mats Pilhem, um dos conselheiros da cidade e membro do Partido de Esquerda, ao jornal sueco The Local. “Esperamos que os funcionários percam menos dias com ausências médicas e sintam-se melhores mental e fisicamente após dias de trabalho mais curtos”.

Caso os resultados sejam positivos, Pilhem afirma que pode adotar a medida como oficial. Para ele, a redução na jornada trabalhista traz outros benefícios, como a criação de mais empregos. 

Gotemburgo não é a primeira cidade a experimentar a medida. A cidade de Kiruna, por exemplo, manteve as 6 horas diárias de trabalho como regra por 16 anos, mas abandonou a ideia em 2005, alegando que “é muito difícil mostrar efeitos claros positivos para a saúde”, afirmou o Instituto Nacional para Vida Profissional à época

“Isso pode ter ocorrido tanto porque não há benefícios quanto porque nós não fomos hábeis o suficiente para medi-los”, ressalta a pesquisadora Carina Bildt.

Diversos distritos do país já fizeram ou estão fazendo o teste e a discussão já ganha nível nacional. 

O primeiro ministro Fredrik Reinfeldt, do Partido dos Moderados, entrou em uma discussão quente com Jonas Sjöstedt, um dos líderes da esqueda, sobre a proposta em um debate sobre reformas trabalhistas. Ele afirmou que a medida custaria ao país mais de um bilhão de dólares, valor que foi questionado por seu opositror.