Portucel pode investir em mais de um país para crescer

Empresa de papel quer investir em mais países; Brasil é um dos alvos

Lisboa – A Portucel tem uma robusta situação financeira que lhe permite entrar em um novo ciclo de expansão, podendo investir em mais de um dos três países que tem estudado, Uruguai, Brasil e Moçambique, disse uma fonte da companhia.

A empresa encerrou, no ano passado, um ciclo de investimento de 900 milhões de euros, dos quais 525 milhões em uma nova fábrica de papel em Setúbal, que lhe permitiu aumentar a sua capacidade instalada em cerca de 50 por cento, para 1,55 milhão de toneladas de papel.

A Portucel, que não tem quantificado o nível estimado de investimentos para os próximos anos, tem afirmado que a sua estratégia de crescimento está agora focada no exterior, já que a floresta portuguesa não permite mais aumentos de capacidade.

A fonte oficial da Portucel –maior produtora de papéis finos e de celulose de fibra curta da Europa– explicou que “os projetos de expansão internacional que o grupo está analisando em diferentes locais têm características diferentes e tempos de implementação distintos”.

A Portucel tem estudado três países desde 2009 –Uruguai, Brasil e Moçambique– e a fonte da Portucel esclareceu que pode investir em mais do que um destes mercados-alvo.

“É possível desenvolver mais do que um dos projetos sem colocar em perigo o equilíbrio financeiro do grupo”, assegurou.

A empresa está na fase de plantio de florestas em Moçambique, com o objetivo de construir uma fábrica de celulose, e assinou um protocolo com o Estado de Mato Grosso do Sul, no Brasil, para estudar a instalação de outra unidade.

Os acordos preliminares com os governos do Uruguai e de Moçambique prevêem fábricas com capacidades anuais de pelo menos 1 milhão de toneladas por ano.

Aumento de preços

A mesma fonte afirmou à Reuters que a Portucel poderá acompanhar outras empresas mundiais do setor em uma elevação do preço do papel a partir do próximo mês de março.

O aumento dos custos de produção, explicou a fonte, “unida a uma carteira de encomendas da indústria relativamente robusta, poderá criar as condições para um aumento de preço no final do trimestre”, lembrando que “alguns importantes players do setor anunciaram já aumentos do preço para março”.

A sul-africana Sappi, a italiana Burgo Group e a finlandesa MReal já anunciaram aumentos entre 5 e 8 por cento a partir de 1 de março.

Segundo dados do índice de referência no mercado europeu, o preço médio do papel ficou em 814 euros por tonelada em 2010, alta de 1,3 por cento.

A Portucel prevê que o consumo de papéis finos não-revestidos ficará estável em 2011 ante 2010, ano em que cresceu 6 por cento na Europa e recuou 1,5 por cento nos Estados Unidos.

“A indústria apresenta, contudo, níveis confortáveis de carteira de encomendas, relativamente à capacidade instalada, e tem registrado valores elevados de taxa de utilização, decorrentes de um nível de procura junto dos produtores em linha com o atingido no final de 2010”, acrescentou a fonte.