Por que o relatório de reservas da OGX é pior do que se diz

Auditoria responsável pelo relatório afirma que projeto para Tubarão Martelo tem “natureza antieconômica”

São Paulo – A esta altura, você já sabe da primeira má notícia sobre as reservas estimadas de petróleo para o campo de Tubarão Martelo, da cada vez mais enrolada OGX de Eike Batista: elas são apenas um terço do que se acreditava. O problema é que há mais: elas podem não ser viáveis economicamente.

A afirmação consta do relatório divulgado pela DeGolyer and MacNaughton, a auditoria americana responsável pela apuração das reservas – e uma das maiores do mundo nesta especialidade.

Na página 8 do documento, a auditoria afirma que “as reservas provadas foram estimadas em zero para este campo, devido à natureza antieconômica do projeto relacionado às reservas provadas.”

Na prática, a DeGolyer and MacNaughton assinalou, com esta passagem, que talvez a extração do petróleo de Tubarão Martelo não seja viável. Para classificar uma reserva como “provada”, a auditoria avalia os seguintes pontos: a) a reserva precisa ter sido descoberta; b) precisa ter condições de ser recuperável; c) ter viabilidade comercial; d) ser remanescente na data de avaliação.

50% de chance

Ao não classificar parte das reservas de Tubarão Martelo como “provadas”, a DeGolyer and MacNaughton reduziu também a certeza de que elas possam ser exploradas.

Segundo a classificação da auditoria, uma reserva provada tem mais de 90% de chance de ter seu petróleo recuperado no volume estimado. As reservas da OGX, porém, foram agrupadas em outras duas categorias: “prováveis” e “possíveis”.

Uma reserva “provável”, segundo a DeGolyer, tem 50% ou mais de chances de ser recuperada. É nesta categoria que a auditoria colocou a maior parte do óleo de Tubarão Martelo: 87,891 milhões de barris.


Outros 20,591 milhões de barris foram classificados como “reservas possíveis”. Pelos critérios da auditoria, isso significa que as chances de esse volume ser confirmado é de 10% ou mais.

Com a expectativa de que o campo de Tubarão Azul, o único em operação atualmente, encerre a produção no próximo ano devido à falta de condições técnicas de extração, o campo de Tubarão Martelo é a principal esperança da OGX de continuar viva.

Além disso, Tubarão Martelo é um dos ativos envolvidos na transação com a malaia Petronas, que inclui a venda de 40% de dois blocos. A Petronas condicionou a conclusão do negócio à renegociação das dívidas da OGX e à comprovação de que há petróleo.

Se os malaios chegarem à mesma conclusão da DeGoyler sobre a inviabilidade econômica do campo, a situação pode ficar bem pior para a OGX, que conta com o dinheiro da Petronas para recuperar o fôlego, diante da acelerada queima de caixa.