Por que o McDonald’s acha que é um negócio saudável no país

Rede de fast food trabalha para conseguir mais consumidores em todo o mundo, mas Brasil tem resultados melhores que outros países

São Paulo – A partir do próximo dia 17, quem for aos restaurantes do McDonald’s no país vai encontrar o Big Mac em uma nova opção de tamanho, novas sobremesas, novos brindes e até batatinhas em formato diferente.

As mudanças visam atrair consumidores – tarefa que não tem sido fácil para a empresa no mundo todo. No Brasil, porém, na contramão de outros países, o modelo de negócio ainda funciona.

Nos três primeiros meses deste ano, as vendas globais da rede de fast food caíram 11% ante o mesmo período do ano anterior. No mercado nacional, desconsiderada a desvalorização do real, houve um crescimento de 3%.

O resultado brasileiro correspondeu a quase metade (47,2%) do total de receita da companhia no trimestre.

“O McDonald’s é uma empresa de 60 anos que tem histórias distintas em cada lugar. O Brasil tem 36 anos de McDonald’s e a saúde da marca aqui é uma das melhores, se não a melhor, do mundo”, disse à EXAME.com Roberto Gnypek, vice-presidente de marketing da companhia para o país.

O executivo falou a EXAME.com durante um evento para divulgação dos lançamentos, na quinta-feira (11). Segundo ele, o grande desafio da cadeia de restaurantes hoje é adaptar seu portfólio ao que o consumidor, principalmente da geração Y, busca.

“Existem algumas alterações importantes que precisam ser feitas em relação à personalização, a ampliar a variedade do nosso cardápio para alguns momentos de consumo”, afirmou.

Novidades por vir

Iniciativas nesse sentido já estão sendo adotadas pelo McDonald’s em outros países e, se tudo der certo, devem chegar ao Brasil em até dois anos.

Na Austrália, por exemplo, há um projeto pelo qual o cliente pode customizar completamente uma parte do cardápio, chamado “premium taste”. Variações do sistema também já são testadas na França e na Inglaterra.

“Mesmo tendo resultados melhores no Brasil do que no resto da companhia, estamos acompanhando todos esses programas. Dependendo dos resultados, a gente tem um plano estratégico para lançá-los no país a partir de 2016 ou 2017”, disse.

A empresa acredita que essas novas ideias terão impactos positivos a nível global ainda neste ano e que o caminho para vender mais não passa por oferecer lanches mais leves e naturais, necessariamente.

“Nosso conceito de saudabilidade está ligado à origem de ingredientes, à variedade de produtos para todos os momentos de consumo, a procedimentos de preparo. Se você olhar a fundo nesse tema dentro do McDonald’s, os nossos produtos devem ser os mais saudáveis do mercado”, explicou Gnypek.

Para ele, a queda nos resultados do grupo, acentuada nos últimos 18 meses, tem origens diversas. Uma delas é o surgimento de novas marcas que vendem hambúrguer com propostas inovadoras nos últimos 15 anos, principalmente nos Estados Unidos.

Outra é o desenvolvimento de fornecedores no mercado asiático, novo para o McDonald’s – no ano passado, um escândalo envolvendo o uso de carne estragada resultou em graves prejuízos para a rede.

“Porém, é preciso olhar o histórico dos últimos anos. De 2003 a 2011 as ações da companhia saíram de 12 dólares para 100 dólares, ela se agigantou nesse período. E desde 2012 investe milhões em projetos (que objetivam transformações, como o da Austrália)”, afirmou.

Aquisição?

No mês passado, pelo Twitter, o Deutsche Bank aconselhou o McDonald’s a comprar algum restaurante concorrente. De acordo com o banco, essa seria a única forma de a empresa conquistar a geração que busca alimentos saudáveis e se livrar do estigma de “junk food”.

Na visão de Gnypek, tudo isso não passa de “besteira”. “O McDonald’s é muito maior do que essa percepção de comida não saudável. Dizer que não podemos mais atender esse novo consumidor, esse perfil distinto, é limitado. Temos escala, presença de marca e inteligência”, disse.

Para ele, essa crise só poderá ser vencida com “autenticidade”, o que a rede de fastfood não conseguiria por meio de uma aquisição.

“Não adianta ter 60 anos, comprar roupa de menininho e achar que ficou jovem. Autenticidade é: olhar para o DNA da marca, respeitar esse DNA e trazer mudanças. É como deixar de ser considerado velho e ser clássico. E isso demanda tempo e dinheiro”, afirmou.