Por que é tão difícil gestores e empresas pararem de mentir

A mentira sempre vai existir, e o melhor é saber quando ela aparece (ou quando usá-la), segundo colunista da Harvard Business Review

São Paulo – Mentir é algo condenável desde os primórdios da civilização. Ninguém menos que Deus já abominou explicitamente a falta de transparência, quando enviou os Dez Mandamentos a Moisés.

Religião à parte, é claro que, no mundo real, as pessoas mentem – dentro ou fora da empresa, estejam elas a trabalho ou em sua vida particular. E os motivos que levam um executivo a mentir, ainda que inconscientemente, são decisivos para que outro homem de negócios tome a decisão correta quanto a um contrato.

Veja, a seguir, três motivos por que a mentira faz parte da gestão empresarial de qualquer tempo e lugar – e por que é tão difícil acabar com ela, segundo Ron Ashkenas, consultor de empresas e colaborador da Harvard Business Review:

Todo gestor quer cultivar uma imagem positiva de si mesmo

Segundo Ashkenas, não há saída: se você é de carne-e-osso, quer que todos gostem de você – sobretudo aqueles que têm poder concreto sobre sua vida, como pais e chefes. Como todo humano, um executivo comete erros, e parte em busca de justificativas e desculpas. Na maior parte dos casos, os motivos listados para o erro são uma meia-verdade.

Todo gestor quer agradar o máximo de gente

Quantos executivos têm coragem de dizer, sem enrolação, que alguém está errado? Ou que o trabalho de meses está fadado ao fracasso? Para angariar apoio e simpatia, não basta apenas fazer com que pensem bem de si próprio. Um gestor também acaba fazendo vista grossa aos erros dos outros, apenas para evitar atritos e ganhar aliados. Dizer o que vem à cabeça, doa a quem doer, apenas por amor à verdade ou para desconsertar as pessoas é coisa do Dr. House.

A mentira pode ajudar o negócio

Empresas têm metas a cumprir. Executivos têm metas a cumprir. Acionistas cobram resultados. E nem sempre é conveniente para uma companhia revelar todos os detalhes de uma transação – como, por exemplo, um forte risco de atrasar a entrega do produto. No limite (ou além dele), essa situação leva a fraudes contábeis e todo tipo de desgoverno.

Para Ashkenas, a mentira nas organizações tende a perdurar tanto quanto as empresas. “Como gestores, o melhor que podemos fazer é estarmos mais conscientes de por que evitamos ou omitimos a verdade, e ter certeza de que o façamos na ocasião correta.”