Qual foi o impacto da curta candidatura de Flávio Rocha para a Riachuleo

Dono da Guararapes, empresário era candidato à presidência pelo PRB. Ele já reclamou da fiscalização de trabalho escravo e foi multado por

São Paulo – Dono de uma das principais redes de varejo do país, Flávio Rocha desistiu de ser candidato a presidente da República. O dono da Guararapes, dona da marca Riachuelo, iria disputar o planalto pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), o braço político da Igreja Universal do Reino de Deus.

Herdeiro e maior representante da companhia familiar, Rocha chegou a deixar a presidência e a vice-presidência de relações com investidores depois de dez anos e deixou Oswaldo Nunes em seu lugar.

Flávio Rocha tentou a presidência em 1994 e foi deputado por dois mandatos. Sua candidatura, desta vez, teria mais destaque e relevância para a companhia.

Antes de o executivo decidir por não concorrer nas eleições deste ano, a opinião de analistas ouvidos por EXAME era de que a gestão da empresa não deveria ser impactada, já que ela possui estruturas de governança maduras. O posicionamento político do candidato, por outro lado, poderia afastar consumidores que discordassem dele.

Figura central na empresa, ele liderou o processo de transformação da Riachuelo nos últimos anos. A companhia, que atua da confecção à venda dos produtos, mudou seu logotipo, repaginou as lojas e apostou em coleções mais jovens.

Ela se inspirou na espanhola Zara, que é referência para toda indústria têxtil, para atuar como uma fast fashion. Também diminuiu a inadimplência de sua divisão financeira.

Em 2017, teve recorde em vendas e, para este ano, prevê aumentar os investimentos para 350 milhões de reais, reformar 40 unidades e abrir outras 15. No meio da maré de bons resultados, Flávio Rocha deixou a presidência da companhia para se dedicar à política.

De acordo com analistas ouvidos por EXAME, a sua ausência não impactou a gestão da Guararapes. “O Flávio Rocha foi muito importante para o crescimento da empresa até hoje, mas a empresa já é bem profissionalizada, apesar do controle continuar familiar”, afirma Rodrigo Glatt, sócio da GTI Administração de Recursos.

De acordo com ele, a empresa é uma das maiores varejistas de moda do país e esse tamanho não pode ser atribuído a uma única pessoa.

Além disso, a empresa se preparou para a saída de seu presidente e tem processos de governança bem estruturados. “Ele já pensa numa candidatura há algum tempo, não acredito que saiu sem se sentir confortável ao deixar a empresa nas mãos de outro executivo”, afirma Glatt.

“Uma empresa desse porte já passa por processos de governança há um bom tempo e uma mudança na diretoria não acontece da noite para o dia”, afirmou Adir Ribeiro, presidente e fundador da consultoria de varejo Praxis Business.

Posição radical

O empresário tem chamado a atenção com escândalos e discursos polêmicos. No ano passado, uma investigação do Ministério Público do Trabalho constatou irregularidades em relação a salários, direitos e segurança em algumas das fábricas e oficinas contratadas pela companhia.

O pedido de indenização por danos morais coletivos tem valor de 37,7 milhões de reais. Segundo nota oficial, a Guararapes “mantém contratos regulares de prestação de serviço com oficinas de costura”.

O empresário usou sua página do Facebook e Instagram para reclamar da ação, que poderia prejudicar os trabalhadores. Também questionou a atuação da procuradora Ileana Mousinho, responsável pelo pedido de multa e convocou uma manifestação na porta de sua fábrica, em parceria com o Movimento Brasil Livre, em que os funcionários brandiam cartazes de apoio à companhia.

Em outubro, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por coação, calúnia e injúria por ter ofendido a procuradora do trabalho e acabou de ser multado em 153,7 mil reais por injúria e danos morais.

O empresário também já reclamou da fiscalização de trabalho escravo, que considerou excessiva.