Polêmica lucrativa? A Nike e o efeito Kaepernick

Resultado trimestral da fabricante de artigos esportivos deve mostrar se vendas subiram ou caíram após marketing com jogador de futebol americano

A fabricante de artigos esportivos Nike divulga nesta quinta-feira os resultados do segundo trimestre de seu ano fiscal. Os números devem reiterar o bom momento vivido pelo mercado esportivo mundo afora. De um lado, tênis e roupas esportivas têm invadido escritórios e ambientes de trabalho. De outro, a busca por hábitos mais saudáveis deve incrementar as vendas para produtos de esporte em 18% até 2022, segundo a empresa de pesquisas Euromonitor.

O bom momento faz as empresas esticarem a corda nas projeções. A maior concorrente da Nike, a Adidas, avisou no início de novembro que não conseguirá crescer os 10% anuais previstos, e que agora trabalha com a projeção de 8% a 9%. Para a Nike, a previsão é de crescimento num ritmo parecido. Segundo previsões de investidores, a empresa deve anunciar um faturamento de 9,17 bilhões de dólares, cerca de 7% a mais que os 8,5 bilhões do mesmo período no último ano, mas 8% a menos que os quase 10 bilhões do último trimestre. O lucro por ação deve ficar estável em 46 centavos de dólar. O valor de mercado da marca é de 113 bilhões de dólares, o mesmo de 12 meses atrás, num período em que o índice Dow Jones caiu cerca de 3%.

Os resultados divulgados hoje serão os primeiros a refletir a polêmica campanha lançada pela marca em setembro deste ano, estrelada pelo jogador de futebol americano Colin Kaepernick. Desde 2016, ele passou a causar reação do público ao se ajoelhar durante a execução do hino nacional americano nos jogos da NFL, em protesto contra a violência racial nos Estados Unidos. O ato foi criticado pelo presidente Donald Trump.

Em setembro deste ano, a Nike divulgou a campanha estampada por Kaepernick, que continha uma foto do rosto do jogador em preto em branco, seguida da frase: “Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo”. O anúncio causou polêmica e dividiu o público não só nos Estados Unidos.

Houve queima de produtos da marca por parte de não apoiadores e as ações da Nike chegaram a cair 3% um dia após a divulgação da campanha. Nas semanas seguintes, porém, especialistas do mercado passaram a esperar que o anúncio trouxesse maior atenção e aumentasse as vendas da empresa entre o público crítico ao presidente americano mundo afora.

Os números divulgados hoje confirmarão quem estava certo.