Petrobras vê potencial de redução de custos de até R$15 bi

Após ter registrado o primeiro prejuízo em mais de 13 anos no segundo trimestre , a nova gestão da estatal passou a buscar formas de operar de forma mais eficiente

Rio de Janeiro – A Petrobras informou nesta sexta-feira ter identificado um potencial preliminar de redução de gastos de 15 bilhões de reais, cortes esses que ocorreriam no âmbito do Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop), anunciado na véspera.

Após ter registrado o primeiro prejuízo em mais de 13 anos no segundo trimestre , a nova gestão da estatal passou a buscar formas de operar de forma mais eficiente, enquanto o governo –controlador da Petrobras– adia planos de um aumento da gasolina na refinaria, o que melhoraria as margens.

Um dos resultados desse trabalho da equipe da presidente Maria das Graças Foster é o Procop, cujas metas finais de redução de custos serão divulgadas em dezembro, reafirmou a estatal em nota nesta sexta-feira.

“Os 15 bilhões de reais mencionados nos meios de comunicação representam o potencial de redução preliminarmente identificado, considerando que várias ações de curto, médio e longo prazo já estivessem totalmente implementadas em 2011 (ano base do estudo)”, disse a estatal em comunicado ao mercado nesta sexta-feira.


O Procop é um dos programas estruturantes do Plano de Negócios 2012-2016. A estatal não especificou em que período o corte de custos poderia ser feito, mas a redução de despesas está prevista para começar em 2013.

“O Projeto encontra-se atualmente na Fase II onde as oportunidades de otimização de custos estão sendo detalhadas, com o objetivo de confirmar o potencial preliminarmente identificado na Fase I”, acrescentou a empresa.

A companhia divulgou na quinta-feira que mapeou um total de 63 bilhões de reais em gastos realizados ao longo de 2011 que poderiam sofrer alguma otimização.

As ações da Petrobras encerraram em queda de 1,1 por cento nesta sexta-feira, enquanto o Ibovespa caiu 1,3 por cento.

Exploração e produção – Segundo uma fonte próxima da estatal, a área de Exploração e Produção, a mais importante da companhia, deverá ser a que sofrerá o maior corte, já que a redução de custos seria proporcional ao tamanho de gastos de cada área da empresa.

A Petrobras não deu detalhes sobre o assunto. Apenas identificou 28 oportunidades redução de custos relevantes nos próximos anos, e a divisão de E&P está entre elas.

O corte de custos deverá ocorrer no momento em que a Petrobras está focada em aumentar sua produção atual de petróleo, que tem apresentado declínio ao longo do ano –a área de Exploração e Produção da companhia representa 60 por cento do investimento previsto no Plano de Negócios 2012-2016 da companhia, de 237 bilhões de dólares.

Segundo uma outra fonte a par do assunto, não deve haver nenhuma redução dos gastos nas plataformas de petróleo, mas pode haver uma reavaliação da logística terrestre de apoio às operações nas bacias, como por exemplo uma base de apoio no Porto de Santos e a construção de um novo aeroporto para atender à produção do pré-sal.

A revisão do plano para a logística da bacia de Santos poderia ocorrer porque o Petrobras inaugurou recentemente no Rio de Janeiro um centro de armazenamento de petróleo que permitiria adiar por um tempo os investimentos em Santos.

A companhia busca um alívio para o seu caixa já que não há previsão de aumento dos preços dos combustíveis no curto prazo.

Na terça-feira, a presidente da Petrobras disse que a companhia não vai esperar um aumento dos preços dos derivados de petróleo no mercado interno para melhorar o seu fluxo de caixa, e por isso buscará operar de forma mais eficiente.