Petrobras prevê queda de 10% de produção fora do pré-sal

Esse dado faz parte da projeção da empresa de aumento da produção total de 4,5% no fim do ano

Rio – A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, reforçou nesta segunda-feita, 18, que a queda de produção de petróleo e gás natural em áreas que não são do pré-sal será de 10%, em média neste ano. Esse dado faz parte da projeção da empresa de aumento da produção total de 4,5% no fim do ano.

Da mesma forma, está incluída na meta de crescimento a previsão de paradas programadas de plataformas, informou Solange, em teleconferência sobre o resultado financeiro do primeiro trimestre deste ano.

O diretor de Abastecimento, Jorge Celestino Ramos, afirmou que a empresa está atenta ao comportamento dos preços dos biocombustíveis e a competição com os derivados de petróleo daqui para frente. Ele informou ainda que a refinaria Rlam, que estava parada, já voltou a operar em plena carga.

Solange informou ainda que a negociação com o governo do valor relativo à área do pré-sal concedida pela União no sistema de cessão onerosa continua em curso.

Segundo a executiva, não há “provisionamento de dispêndio em função da cessão onerosa” para este ano.

Compromisso

De acordo com o diretor Financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, a estatal “tem liberdade e vai praticar preços competitivos e de mercado”.

Segundo ele, esse é um “compromisso” da companhia com acionistas e também com o mercado de dívidas, uma vez que a redução de alavancagem é tida como prioridade pela atual diretoria.

“Vou reiterar que a companhia tem a liberdade e vai atuar para praticar preços competitivos e de mercado. Como companhia de mercado aberto, temos compromissos importantes para honrar no mercado de divida e obrigações para apresentar resultados para os acionistas, aqueles que escolheram aplicar na companhia. Não pode ser outra postura da diretoria executiva da Petrobras”, completou.

Monteiro reforçou que a estatal vai buscar a redução dos indicadores de alavancagem, mas não com uma única medida “e sim por um conjunto de medidas importantes”.

Segundo o executivo, as medidas estão sendo discutidas com a diretoria e área técnica para apresentar no plano de negócios.

“Desalavancagem não vai se dar por uma medida, mas por um conjunto de medidas importantes. Isso virá com a revisão do plano de negócios. Já há amplo debate na companhia sobre a revisão. Esse debate vai ser catalizado com reunião entre diretores e equipe técnica para apresentar ao conselho de administração”, reforçou Monteiro.

Setor elétrico

Segundo Monteiro, a companhia vai buscar reaver totalmente os recursos investidos no setor elétrico, com empréstimos a fornecedoras de gás na região Norte.

Segundo o diretor, o processo de negociação avalia a possibilidade de garantias oferecidas pelos clientes.

“Expectativa é sempre buscar recuperar os valores, mas é um processo negocial: ou se recebe valor ou se agregam garantias que alteram as percepções que se tinha à época e levou a provisão no passado”, informou Monteiro.

Segundo ele, há uma “confissão de dívida já existente”. “Esse é um processo normal de negociação de recebimento à vista ou reforço de garantia. Se virmos que a qualidade do reversível se alterou, fazemos a reversão. Se não a gente faz a negociação”.

Monteiro ainda indicou que a companhia não trabalha com custos adicionais para o segundo trimestre relacionados a investigações de corrupção.

“Não há identificação de custo adicional para o segundo trimestre”, reforçou.