Pesquisa constata pontos negativos da governança corporativa no Brasil

São Paulo, 11 de novembro (Portal EXAME) A governança corporativa no Brasil ainda está engatinhando. Foi o que constatou uma pesquisa feita pela consultoria Booz Allen Hamilton em parceria com o Instituto de Governança Corporativa (IBGC), que entrevistou presidentes, conselheiros e diretores de 285 grandes empresas de controle nacional. Entre os resultados negativos, está a baixa importância que os entrevistados conferiram à disponibilidade de tempo dos membros de Conselhos de Administração. Apenas 2% consideram este quesito muito importante. Também foi constatado que 48% dos conselheiros não participam da avaliação de executivos, 63% não supervisionam o gerenciamento de riscos de erros de gestão e fraudes e 93% não têm plano de sucessão do Diretor Presidente.

Ainda temos que melhorar , diz Heloísa Bedicks, diretora executiva do instituto há três anos. Para ela, a pressão dos investidores será determinante. Investidor nenhum quer correr risco , afirma.

A pesquisa constatou ainda que 69% dos entrevistados não adotam arbitragem e em 54% dos casos não existe qualquer mecanismo para composição de conflitos de interesse. O nó da governança corporativa são os conflitos de interesse , afirma Douglas Monaco, chefe da área de Estudos Acadêmicos do instituto. Parece que não existe, entre as empresas, uma percepção nítida da função original desses mecanismos.

A pesquisa foi divulgada na segunda-feira (10/11) durante o 4º Congresso Brasileiro de Governança Corporativa, evento promovido pelo IBGC em São Paulo.

O IBGC completa oito anos de atividades no dia 27/11. Sessenta e seis por cento dos entrevistados pela pesquisa conhecem nosso código de melhores práticas de governança. Há dois anos, grandes executivos brasileiros confundiam IBGC com IBGE , diz ela.