Pátria Investimentos avalia disputar leilão de privatização da Cesp

Leilão está agendado para outubro, no qual governo do Estado de São Paulo oferecerá a investidores fatia controladora na geradora

São Paulo – A gestora de ativos Pátria Investimentos tem avaliado a possibilidade de disputar um leilão agendado para 2 de outubro, no qual o governo do Estado de São Paulo oferecerá a investidores sua fatia controladora na geradora Cesp, que opera cerca de 1,65 gigawatts em hidrelétricas, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

O Pátria, que tem a empresa norte-americana de private equity Blackstone como importante acionista desde 2010, colocou recentemente o setor de energia como uma de suas prioridades para aportes no Brasil, junto aos segmentos de concessões de rodovias e infraestrutura em telecomunicações.

O apetite pela Cesp foi alvo de uma reunião entre representantes do Pátria e membros do Ministério de Minas e Energia em Brasília nesta terça-feira, afirmou a fonte, que falou sob a condição de anonimato devido à sensibilidade do tema.

“Tem vários grupos (olhando), e o Pátria é um deles”, disse a fonte, sem detalhar.

Um eventual investimento na Cesp não seria o primeiro do Pátria em energia no país –a empresa é sócia da empresa de energia limpa CPFL Renováveis e arrematou em 2016 a concessão para construção de um projeto de transmissão orçado em quase 2 bilhões de reais.

Procurada, o Pátria Investimentos disse que “não comenta as suas estratégias de investimentos e desinvestimentos.”

A Cesp, o governo de São Paulo e o Ministério de Minas e Energia não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

Leilão à vista

O governo federal vai cobrar um bônus de outorga de 1,37 bilhão de reais no leilão de privatização da Cesp, em troca da renovação por 30 anos da concessão da maior usina da empresa, Porto Primavera.

Em paralelo, o governo paulista definiu um preço mínimo de 14,30 reais por papel para suas ações na Cesp, ou cerca de 1,66 bilhão de reais por toda a fatia estatal na companhia.

Além do Pátria, a gestora de recursos Vinci Partners e a elétrica Engie Brasil Energia, do grupo francês Engie, também disseram em ocasiões recentes que avaliam participar da concorrência pela Cesp.

O presidente da Engie, Eduardo Sattamini, afirmou na semana passada que a empresa comprou acesso ao data-room sobre a privatização da companhia paulista, embora ainda não tenha uma decisão oficial sobre a entrada na licitação neste momento.

O governo paulista já chegou a tentar realizar a privatização da Cesp em outras ocasiões, incluindo no ano passado, quando o processo travou em meio à falta de interessados. O preço por ação foi agora reduzido ante os 16,80 reais da tentativa anterior para atrair mais investidores.