Parente: Situação da Petrobras hoje é melhor do que a de 2, 3 anos atrás

Presidente argumentou que a recuperação financeira da empresa não se limita à sua política de reajuste de preços e citou série de medidas da sua gestão

Rio – A avaliação do presidente da Petrobras, Pedro Parente, é que a queda das ações nos últimos dias reflete a visão dos investidores de que a empresa não possui a mesma credibilidade de duas semanas atrás.

Mas, em teleconferência com analistas de mercado, argumentou que a recuperação financeira da empresa não se limita à sua política de reajuste de preços.

Parente elencou uma série de medidas tomadas pela atual diretoria para demonstrar que a estatal de hoje é melhor do que a de dois, três anos atrás.

Entre elas, citou a redução do endividamento, a redução dos custos em termos nominais, o alcance das metas de produção por três anos consecutivos, a execução do planejamento estratégico e de suas métricas, e o avanço do programa de venda de ativos.

Ele antecipou ainda que a conclusão da venda de alguns desses ativos deve ser anunciada nos próximos dias. “Nossas metas e métricas estão mantidas e vamos alcançá-las. Temos segurança para afirmar que estamos no controle do programa estratégico”, afirmou.

Na tentativa de dar segurança ao mercado de que a empresa prossegue no processo de recuperação financeira, afirmou também que vê o futuro com “muita confiança, mesmo o futuro próximo”.

O presidente da Petrobras comentou ainda a decisão de reduzir e congelar o preço do combustível. “A contribuição foi polêmica, mas, naquele momento, tivemos coragem para realizar. Qualquer empresa com responsabilidade faria o mesmo”, afirmou Parente, admitindo em seguida ter conhecimento de que os investidores não gostaram da decisão.

“O que a companhia passou foi amplificado, se entendeu a (empresa como) origem do problema equivocadamente”, disse Parente, referindo-se à percepção pública de que a alta dos preços dos combustíveis é de responsabilidade da estatal.

Imposto de importação

O presidente da Petrobras foi questionado por analistas sobre como se dará a competição por participação de mercado entre importadoras de combustíveis e a Petrobras, tendo em vista a mudança da periodicidade dos reajustes, de diária para mensal.

O executivo explicou que o imposto de importação retira a necessidade de reajustes diários.

Conforme ele disse, o governo anunciou a adoção de um imposto de importação que deve ajudar a estatal a enfrentar a concorrência com as importações.

A disputa entre Petrobras e empresas importadoras, atualmente responsáveis por cerca de 20% da oferta de combustíveis no País, se tornou acirrada desde que a estatal adotou uma nova política de preços.

Entre outubro de 2016 e junho de 2017, a petroleira promoveu reajustes mensais de preços, o que gerou perda contínua de participação de mercado para as importações e afetou o nível de utilização das refinarias. Para minimizar essas perdas, os reajustes passaram a ser diários.

Lembrando o que aconteceu naquela época, Pedro Parente explicou que a decisão de adotar reajustes diários, no lugar de mensais, não foi um capricho, e sim uma necessidade. “Estávamos perdendo a capacidade de gerir preços e fatia de mercado”, disse.

A periodicidade voltará a ser mensal, em função dos protestos dos caminhoneiros, que criticaram a falta de previsibilidade dos reajustes. Pelo acordo com os caminhoneiros, inicialmente, a Petrobras não poderá mexer nos preços por 60 dias e, depois, passará a fazer reajustes de 30 em 30 dias até o fim do ano. A previsibilidade do preço do diesel é um dos mais importantes pontos da discussão atual envolvendo o governo, explicou Parente.

“O imposto de importação vai ajudar enfrentar concorrência com importadores”, disse Parente, acrescentando que está preservado o processo decisório da estatal no que se refere à escolha entre margem e participação de mercado. “Um dia acima do preço do mercado é suficiente para facilitar a importação”, relatou.

Na segunda-feira, 28, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse que o governo estabelecerá um Imposto de Importação sobre o diesel que será pago pelos importadores no momento em que o preço no mercado internacional cair.

Isso será feito para evitar que os preços cobrados pelos importadores sejam menores do que a da Petrobras, já que a estatal terá que manter os preços “congelados” e não poderá se beneficiar de reduções nos preços do mercado internacional imediatamente.

De acordo com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o Imposto de Importação será “ad rem”, ou seja, um valor fixo por litro. Esse valor será calculado diariamente e corresponderá à diferença do preço do combustível no mercado interno e no internacional.

Guardia ressaltou que a criação do novo Imposto de Importação foi fundamental para que a redução no preço na bombas possa ser feita. “Isso foi o que permitiu à Petrobras mudar a periodicidade de sua política de reajuste. Sem essa proteção, poderia trazer problemas para a própria Petrobras”, disse Guardia, na ocasião.