Parceiros, BB e UBS querem ser líderes no mercado de capitais

Se a parceria já estivesse em operação, o novo banco apareceria em terceiro lugar no ranking de originação de renda variável; BB está em 10o à frente do UBS

São Paulo – O Banco do Brasil e o banco suíço UBS anunciaram na noite de quarta-feira (6) uma parceria para atuar na área de banco de investimento, que, entre outros serviços, faz captação de recursos de empresas no mercado de capitais. “A joint-venture (JV) trará benefícios para ambas as partes, pois há complementariedade. Eles trazem a experiencia internacional, capacidade de distribuição, e nós trazemos a força da nossa clientela corporate (empresas) e capacitação bastante reconhecida em originação”, diz Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, na manhã de quinta-feira (7), em conversa com jornalistas.

É um negócio voltado apenas para o cliente institucional (corporativo), sem reflexos para o varejo. “O objetivo é estar em primeiro lugar no ranking o mais rápido possível”, complementa Sylvia Coutinho, presidente do UBS para o Brasil. “Depois de 18 meses de negociações, estamos unindo o melhor dos dois mundos, a força local e a global.”

O novo banco de investimentos está de olho em um mercado de capitais doméstico que registrou captação de 268,9 bilhões de reais em 2019 (até setembro), 42% superior ao volume captado no mesmo período do ano passado. Esse resultado é o maior da série histórica, mesmo na comparação com os dados de janeiro até dezembro dos anos anteriores. 

No acumulado do ano até setembro, o Banco do Brasil aparece em 10o lugar no ranking da Anbima de originação de renda variável com partes relacionadas, com 2,98 bilhões de reais, seguido pelo UBS, com 2,90 bilhões de reais. Se a JV já estivesse em operação, passaria o BTG Pactual na terceira colocação.

No que se refere a emissões externas de títulos de dívida, o BB aparece na terceira colocação, com 7 bilhões de dólares no período, atrás do Bradesco BBI e do Santander. Já o UBS aparece na 21a posição com 600 milhões de dólares. A JV, portanto, não mudaria a posição do BB. Por sua vez, nas originações consolidadas de renda fixa, o BB aparece na quinta colocação com 18,5 bilhões de reais, e o UBS não configura na lista.

O novo banco de investimentos – que ainda precisa ter o aval do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que pode demorar de seis a oito meses – terá uma composição acionária de 50,01% do UBS e de 49,99% do BB. Segundo os executivos, é possível que o UBS faça um aporte financeiro para equalizar as posições e o valor de mercado (valuation). “Certamente vai haver alguma coisa (valor), mas o propósito da JV não é recebimento de recursos financeiros”, diz Carlos Hamilton, vice-presidente de finanças e relações com investidores do BB.

Enquanto o novo banco não sai do papel, será constituída uma equipe de transição para fazer o que os executivos chamaram de “encanamento”. Não entram na JV a gestora e a gestão de patrimônio (Wealth Management) do UBS, porque no banco suíço a gestora só atende os clientes do gestora de patrimônio.

Essa não vai ser a única parceria do BB. O banco também procura um parceiro estratégico e estrangeiro para a gestora de investimentos. “Alguém com evidente complementariedade à nossa instituição, que abra espaço de distribuição para o mundo inteiro”, afirma Novaes. As negociações, no entanto, não devem ser concluídas ainda neste ano. “Começamos com grande número de de pretendentes e esse numero está sendo reduzido.”

Além disso, o BB está estudando o enxugamento da estrutura do banco e racionalização de tarefas. “Mas isso não foi levado ainda a conselhos nem temos uma meta de reduzir tantas diretorias”, diz Novaes. Em 12 meses encerrado em setembro, o BB fez mudanças em 400 agências: algumas foram fechadas, outras readequadas para atender a maior ou menor demanda de correntistas, além de ter criado unidades especializadas. “Estamos trabalhando mais com correspondentes bancários também”, afirma Novaes.