Para Sérgio Martins Cardoso, da Thyssenkrupp, o futuro chegou

Vice-presidente da Thyssenkrupp Elevadores, que acaba de criar o primeiro elevador sem cabos do mundo, entrou na empresa como estagiário

O brasileiro Sérgio Martins Cardoso vive na Alemanha, onde exerce a função de vice-presidente de operações globais da Thyssenkrupp Elevadores. Mas a história profissional dele começou em Santos, no litoral de São Paulo.

Filho de feirante, Cardoso ajudava o pai na barraca e, aos 10 anos de idade, liderava oito funcionários. A primeira experiência corporativa, em 1990, foi como estagiário de engenharia em uma empresa comprada em seguida pela alemã.

A Thyssenkrupp é uma das mais inovadoras do segmento. A companhia acaba de criar o Multi, primeiro elevador capaz de se movimentar tanto na vertical quanto na horizontal graças à tecnologia que dispensa o uso de cabos. O sistema foi eleito pela revista Time como uma das 25 melhores invenções de 2017.

Além de desenvolver soluções de mobilidade urbana alinhadas com as cidades do futuro, a companhia quer agora recuperar o fôlego e superar o prejuízo de mais de 767 milhões de dólares registrado no fim do período fiscal de 2017. Parte da perda é atribuída aos encargos pela venda da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que pertencia ao grupo, à produtora de aço Ternium. O objetivo é fechar 2018 com lucro líquido superior a 270 milhões de euros.

De São Paulo, onde estava para o lançamento de um programa da Thyssenkrupp em parceria com a ONG Aldeias Infantis SOS, Cardoso conversou com a VOCÊ RH sobre a importância de ter passado por vários cargos dentro da empresa e como a tecnologia pode ajudar na economia de tempo e energia.

De que forma a sua passagem por várias funções dentro da companhia interferiu na sua formação?

Comecei como estagiário em uma empresa que depois foi adquirida pela Thyssenkrupp. Na época, cursava engenharia elétrica na Faculdade Santa Cecília, em Santos. Quando tinha seis meses de trabalho, houve uma mudança interna e me contrataram como ajudante de montagem. Aceitei o desafio porque acredito que é isso que nos move. Sou filho de feirante e, aos 10 anos, era responsável por uma barraca com oito funcionários. Na Thyssenkrupp, fui montador, ajustador, supervisor de instalação e reparo até seguir para a área de vendas. Depois, passei pelos cargos de gerente de unidade, gerente nacional de modernização, VP de modernização até que, em 2014, fui convidado para assumir o cargo atual. Hoje, tenho uma equipe com 21 pessoas sob meu comando direto e mais de 35 mil funcionários indiretos. Sem dúvida, ter passado por todas essas funções me ajudou a compreender as etapas desse trabalho e, principalmente, as necessidades de quem está em campo. Também permitiu perceber as particularidades de cada cliente.

Por que a empresa se posiciona como desenvolvedora de soluções de mobilidade urbana?

Vivemos em cidades lotadas de carros e pessoas, com prédios cada vez mais altos. Em 2050, seremos de 7 bilhões a 9 bilhões no mundo, segundo previsões da ONU. A questão do deslocamento será um assunto sério, que vai precisar de investimentos. Então, queremos contribuir. Com ajuda da tecnologia, um elevador pode se dirigir a um andar que tiver mais gente concentrada, por exemplo. O Multi, que é capaz de se movimentar na horizontal e vertical, vai oferecer novas possibilidades de construção integrada para arquitetos e construtores que planejam as cidades do futuro. Esse sistema requer 25% menos espaço do que os elevadores convencionais e gasta 60% menos energia. A capacidade de transporte de passageiros é 50% maior, reduzindo o tempo de espera, e há um dispositivo de realidade virtual que permite aos técnicos enxergar, por meio de óculos 3D, uma projeção holográfica da peça que será submetida a reparo e até acessar o histórico do elevador. Dessa forma, o engenheiro auxilia remotamente o técnico de manutenção em qualquer parte do mundo, ganhando tempo e aumentando a eficiência do trabalho.

O que motivou a empresa a desenvolver um elevador sem cabos?

A altura dos edifícios que estão sendo lançados. Além de pesados, os cabos que sustentam os elevadores limitam a altura desses prédios por questões técnicas, pois não é possível instalar cabos tão longos.

 

Como funciona o sistema de nuvem para o qual a empresa está migrando o controle dos elevadores?

O Max é um sistema de manutenção preventiva que coleta em tempo real os dados dos elevadores e envia para a plataforma em nuvem. Lá, é calculada a vida útil dos componentes e sistemas de cada elevador por meio de um algoritmo. Inovações como essas geram economia de tempo, pois os técnicos podem agir também preventivamente. Um dos elevadores que já está conectado por meio do Max à nuvem é o do One World Trade Center, de Nova York.

 

O senhor veio ao Brasil para participar do lançamento de um programa em parceria com a ONG Aldeias Infantis SOS. Como é esse projeto?

A iniciativa é parte da política mundial de responsabilidade social da empresa, o SEED (Sustentar, Educar, Elevar, Desenvolver), que apoia os jovens na busca pelo primeiro emprego. Sabemos que na faixa etária até 24 anos eles têm muitas dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Por meio desse projeto, oferecemos mentoring e coaching para eles com engajamento voluntário dos colaboradores da empresa no país. A ideia é capacitá-los para ingressar no mercado, com orientação para a carreira. A parceria vai beneficiar jovens no Brasil e, posteriormente, na Colômbia e na Índia. E está totalmente em sintonia com nossa crença de que as cidades podem ser realmente, e em todos os sentidos, um lugar melhor para viver.