Para joalheria Pandora, crise é impulso para crescer no país

Segundo a empresa, a grande quantidade de imóveis vagos e bem-localizados facilita a abertura de novas lojas da marca

São Paulo – Para a joalheria dinamarquesa Pandora, a crise econômica não é um empecilho, mas sim um impulso para crescer no Brasil.

Segundo Scott Burger, presidente da empresa para as Américas, como o momento é ruim para muitos varejistas, uma grande quantidade de imóveis bem-localizados acaba vaga – e isso facilita a abertura de novas lojas da marca.

“Além disso,  na crise, quando vão comprar itens não essenciais, os consumidores procuram investir em produtos feitos com materiais genuínos e de grande longevidade, como as joias da Pandora”, disse em entrevista exclusiva a EXAME.com.

A desvalorização do real frente ao dólar é outro ponto a favor. “Temos visto os brasileiros comprando muito mais em casa do que fora do país, o que é ótimo”, completou Darren Chen, diretor de vendas da rede para as Américas.

Queridinha das adolescentes, a Pandora é conhecida pelos braceletes de prata que podem ser preenchidos com pingentes colecionáveis, os chamados “charms”. 

Hoje, além da vitrine na internet, a companhia possui 63 pontos de venda no país  29 deles, ou pouco mais de 40%, são franqueados. Até o fim do ano, serão inaugurados outros seis, três deles em centros comerciais de São Paulo.

Expansão

Em apenas um ano, o número de lojas da joalheria por aqui praticamente dobrou  elas somavam 35 no fim de 2014. O projeto é manter o ritmo de expansão, principalmente por meio das franquias.

O foco será nas regiões Nordeste e Norte, onde a companhia ainda tem poucas unidades, mas também haverá inaugurações no Sul.

“Acreditamos que ainda há muito espaço para crescer no Brasil. Vamos abrir tantas lojas quanto conseguirmos em grandes shoppings com boa localização. A disponibilidade de imóveis é que vai determinar o número”, comentou Burger.

O executivo não revela quanto a empresa já investiu ou pretende ainda aplicar no país.

Globalmente, a Pandora espera fechar este ano com vendas de aproximadamente 2,3 bilhões de dólares. A empresa não fala em lucro e os valores para o Brasil também não são comentados.

“Não posso dar números, mas, em termos gerais, a receita do nosso negócio aqui vai quase dobrar em 2015. Isso será direcionado por duas coisas: a primeira, e mais importante, é o forte crescimento das lojas que já tínhamos. A segunda é a expansão”, afirmou Burger.

Segundo ele, uma parcela aproximada de 60% do crescimento das vendas locais virá das unidades recém-inauguradas.

“Oferecemos um luxo acessível, temos uma boa tabela de preços mesmo durante uma economia difícil. É por isso que nosso negócio tem crescido de forma tão saudável”, justificou também o diretor de vendas Darren Chen.

Para 2016, entretanto, um cenário “um pouco mais desafiador” é esperado, em termos de resultado.

Histórico

A Pandora chegou no Brasil em 2009, mas só começou a ganhar mercado nos últimos dois anos. No começo, os produtos da marca eram vendidos no país por um distribuidor, que foi comprado pela joalheria em 2013.

Naquele mesmo ano, foi iniciado também o projeto de expansão por meio de franquias. “Investimos muito dinheiro e formamos um time fantástico”, comentou Burger, sem abrir os valores.

Em 2013, a empresa tinha 90 funcionários por aqui, sem contar os trabalhadores de lojas franqueadas. Hoje, são 450.

Fundada em 1982, em Copenhague,  a Pandora ganhou o mundo depois de 2000, quando lançou o conceito dos braceletes com “charms”. 

Feito na Tailândia

Apesar de a Pandora ser dinamarquesa, todas as suas joias, vendidas em 9.500 pontos de venda de 90 países, são fabricadas na Tailândia.

A empresa possui sete fábricas próprias e emprega cerca de 10.000 pessoas no país asiático. No ano passado, produziu aproximadamente 90 milhões de peças.

Esse, segundo Scott Burger, é um dos segredos do negócio.

“Nós fazemos os produtos, precificamos e repassamos valor para o consumidor. O fato de sermos donos de toda a nossa cadeia de produção nos coloca em uma posição favorável em comparação com companhias similares”, disse.

De acordo com ele, a manufatura é concentrada na Tailândia porque o país tem “um custo-benefício favorável, disponibilidade de recursos e centenas de anos em expertise na fabricação de joias”.

Outro ponto que diferencia a Pandora dos concorrentes, segundo Darren Chen, são os padrões de qualidade da companhia.

“Os treinamentos que damos para os vendedores das nossas lojas próprias são os mesmos para os franqueados. Queremos que o consumidor tenha uma única experiência”, disse.

Burger concorda. “Nós confiamos aos franqueados a coisa mais especial que temos, que é nossa marca, e os preparamos para representá-la”.