Para além de costela e cebola, Outback inclui mais drinks no cardápio

Com opções de gim e cerveja artesanal, objetivo é aumentar o gasto médio do consumidor e a receita com bebidas alcoólicas, hoje 16% do total

A rede de restaurantes Outback quer ser cada vez mais vista como o lugar do happy hour. A empresa vai passar a oferecer em suas 99 lojas no Brasil uma série de novas opções de bebidas alcoólicas, como drinks à base de gim e cervejas artesanais.

O objetivo com a maior variedade de bebidas é aumentar o ticket médio do consumidor, que hoje é de 58 reais nas unidades brasileiras, segundo balanço anual de 2018 da Bloomin’ Brands, holding estadunidense que controla o Outback. No ano passado, só 16% das vendas do Outback foi de bebidas alcoólicas, com 84% sendo em comida e bebidas não-alcoólicas, como refrigerante ou chá.

Até agora, a estrela do cardápio alcoólico era o chopp servido na caneca congelada, bebida implementada no Brasil pela rede e com inspiração americana. “Os drinks são um ótimo direcionador do valor médio de consumo dentro do restaurante”, disse em comunicado a diretora de marketing do Outback Brasil, Renata Lamarco.

Os novos drinks — que já estão disponíveis no cardápio online da empresa — virão em opções diversas, todas custando pouco mais de 30 reais. Os drinks de gim, por exemplo, serão feitos em parceria com a marca Tanqueray, da fabricante de bebidas Diageo, com sabores de frutas, mel e canela. Essas bebidas vão custar entre de 35 a 37 reais, saindo pela metade do preço em dias de promoção no happy hour do Outback. A empresa aponta em nota que, nas ocasiões com desconto, o preço fica abaixo dos praticados pelo mercado e deve atrair os consumidores. 

Entre as novidades do cardápio de bebidas estão também drinks como chopp com vodca, tequila ou whisky, como a versão do drink Beer Mule, que mistura chopp do Outback ao whisky Jack Daniel’s. Novos rótulos de cervejas artesanais, como a Colorado Ribeirão Lager (a 16,90 reais) ou a Goose Midway Session (19,90 reais), também serão oferecidas. Na seção não-alcoólica, também será adicionado ao cardápio a limonada Pink Lemonade (a 11 reais).

Um dos objetivos é surfar a onda do crescimento do gim no Brasil, que vem atraindo o gosto dos consumidores por seu sabor menos forte do que outros destilados, como a cachaça. Entre 2012 e 2017, o gim cresceu 150% e é a terceira bebida destilada mais consumida no país, atrás de cachaça e vodca, segundo a provedora de pesquisa de mercado Euromonitor. São 1,8 milhão de litros consumidos por ano, e o consumo de gim deve fechar o período entre 2017 e 2022 com alta de mais de 200% no país.

A tendência é que a aposta do Outback no incremento das bebidas se mostre acertada, uma vez que a margem de drinks preparados e de maior valor costuma ser alta, podendo passar de 100%, segundo Alan Kuhar, professor de administração da ESPM e especializado no mercado de bebidas. “No geral, qualquer bebida, mesmo as não-alcoólicas, ajuda a aumentar a margem”, diz.

Assim, mais do que atrair novos clientes que decidam ir aos restaurantes da rede por causa das bebidas, o objetivo é fazer os que já frequentam o local gastarem mais. A expectativa de um maior ticket médio vem também da percepção de que, mesmo que o cliente se dê por satisfeito com apenas um prato ou porção, pode vir a pedir mais drinks caso passe um tempo relevante à mesa. As costelas, uma das combinações mais famosas da casa, custam entre 60 e 80 reais e podem até ser divididas em mais de uma pessoa. Sozinho, um único drink já chega a metade desse valor. “E a vantagem é que leva algum tempo para preparar uma costela, mas poucos minutos e pouco material para fazer um drink”, diz Kuhar.

O estoque também é mais flexível. As garrafas de bebida, principal matéria-prima dos drinks, são produtos não-perecíveis e podem permanecer guardados por mais tempo caso as vendas sejam fracas em algum período.

Segundo o Outback, a expectativa é que o volume de venda de bebidas suba 50% nos restaurantes da rede no Brasil.

Aposta no Brasil

O Brasil é o maior mercado do Outback fora dos Estados Unidos, e a companhia afirmou em seu balanço anual de 2018 que o mercado brasileiro continuará sendo “prioridade máxima” em desenvolvimento.

Todas as unidades no Brasil são próprias, abertas com um sócio-proprietário. Por meio de franquias, a rede opera também em países como Porto Rico, México, Japão e Arábia Saudita, entre outros lugares. Nos Estados Unidos, há mais de 1.000 restaurantes Outback, a maioria também próprios.

No ano, o Outback fatura mais de 300 milhões de dólares no Brasil. Nos primeiros três meses de 2019 — último trimestre com resultados divulgados –, as operações brasileiras resultaram em faturamento de 89,6 milhões de dólares, cerca de 80% da receita fora dos Estados Unidos, segundo balanço da Bloomin’ Brands.

No segmento de restaurantes do tipo casual dining (como churrascarias ou rodízios que oferecem serviço de qualidade superior às redes de fast food e têm serviço de mesa), o Outback tem 12% do mercado, segundo dados da Euromonitor com base no ano de 2018. A rede norte-americana está empatada com o Madero, que tem 12,1% (o grupo tem ainda a marca Jerônimo, com 1,7%), e bem à frente do América, terceiro colocado no segmento, com 2%. O rival norte-americano Applebees tem somente 1,8% do mercado no Brasil.

É um setor pulverizado, que movimenta 6 bilhões de reais e deve crescer mais de 40% até 2023. Na categoria mais ampla, o chamado full-service restaurant (que inclui as redes de casual dining e também outros locais com serviço de mesa e comida de melhor qualidade), o faturamento é de 116 bilhões de reais, com crescimento de mais de 30% previsto até 2023.

Nesse cenário, o Outback, que tem pratos mais caros que restaurantes de fast food — e, portanto, sofreu mais nos momentos de crise –, está bem posicionado para aproveitar a retomada da economia, com uma marca que é lembrada pelos consumidores em seu segmento, diz Cristina Souza, diretora-executiva da consultoria especializada em varejo GS&Libbra.

Além das bebidas, outras mudanças já haviam sido inseridas no Outback neste ano, como a entrega de produtos por delivery em parte das unidades. Entre as ações recentes estão ainda a introdução de pratos vegetarianos no cardápio ou uma opção temporária de foundue para o inverno. “É verdade que o segmento de alimentação passa por mudanças e há uma necessidade de adaptação, mas vejo que o Outback tenta fazer isso sem deixar de lado o bom atendimento ao cliente no salão”, diz Souza.

Para as novas bebidas, esse bom atendimento também precisará entrar em ação, de modo a convencer os clientes a experimentar os sabores e ir além da cebola frita. Com drinks seguindo as tendências e boa margem de lucro, há pouca chance de errar.