Ouça trecho da entrevista com o presidente mundial da Philips

Gerard Kleisterlee comenta a escolha de alguém de fora da companhia para comandar as operações da multinacional no Brasil

Ouça, em inglês, um trecho da entrevista concedida por Gerard Kleisterlee, presidente mundial da Philips, à editora-executiva Cristiane Corrêa.

Leia também abaixo a transcrição em português da entrevista.

“Eu tenho que contar um pequeno segredo. Eu sugeri a Marcos [Marcos Magalhães, ex-presidente das operações da Philips na América Latina] alguém de fora. Porque eu acho que a Philips merece ter o melhor que podemos conseguir no Brasil e na América Latina, alguém que pode levar a companhia à frente. Marcos foi o primeiro local, brasileiro, a chefiar a divisão da Philips na América Latina.

Eu não queria enviar um expatriado. Da maneira que havíamos erguido a organização, não havia um sucessor óbvio dentro da companhia pronto. Tínhamos muitos talentos, mas talvez para a próxima vez. Então perguntei se conseguiríamos encontrar alguém que se encaixasse na cultura da companhia, tivesse boas relações na comunidade de negócios brasileira e soubesse como as companhias funcionam, e se seria possível atrair essa pessoa e ter tempo suficiente para que ele entendesse como a Philips funciona. Porque nessa posição você precisa de dois elementos. Um, entender como as coisas funcionam localmente. E para ser eficiente localmente, você também precisa saber como a Philips trabalha. Você precisa ter tempo para um ou outro para se adaptar. Então decidimos fazer dessa maneira: dissemos ok, vamos colocar a pessoa a bordo com antecedência. Marcos foi flexível quanto ao tempo que demoraria para dar à pessoa a oportunidade de ir à Europa, de ir aos Estados Unidos, de ir à Ásia e falar com nosso pessoal lá, passar algumas semanas por lá, ver como as coisas funcionam na Philips da China, dos Estados Unidos, como a sede funciona, passar pelas divisões e ver como elas trabalham; de fazer um programa que permitisse o tempo que isso exige.

Marcos, felizmente, teve a flexibilidade para dizer ‘bom, se vai nos tomar seis meses, eu fico seis meses, se vai exigir nove meses, eu fico nove meses’. Não tínhamos uma data certa para que Marcos saísse. O objetivo do exercício era “queremos ter uma sucessão bem conduzida e planejada e queremos ter o melhor sucessor possível pronto, que conheça a Philips, que conheça o Brasil, para levar isso adiante”. Por enquanto, acho que conseguimos isso.

Desta forma, acho que essa é a primeira vez [que a Philips realiza a sucessão]. No momento, estamos repetindo o modelo na Índia.”