Os executivos de tecnologia continuam em alta?

O inglês Kelvin Thompson foi o responsável direto pela contratação de alguns dos mais bem pagos executivos de tecnologia dos Estados Unidos. Vivendo em São Francisco desde 1998, Thompson — sócio da consultoria Heidrick & Struggles, especializada na contração de altos executivos — presenciou toda a efervescência tecnológica ocorrida no Vale do Silício, assim como a depressão que abateu a indústria da tecnologia no último ano e meio. Durante recente visita ao Brasil, o headhunter falou a EXAME:

Os executivos de tecnologia perderam status nas organizações nos últimos dois anos?

Definitivamente não, pelo menos nas grandes empresas. Você pode ler em uma ou outra matéria de jornal que a área de tecnologia da informação está voltando a ser subordinada à área financeira, em razão do atual foco no controle de custos. Mas, nas companhias realmente bem-sucedidas, a área de tecnologia permanece estratégica.

É mais fácil encontrar um CIO hoje do que há dois anos?

Sim e não. Hoje é mais fácil encontrar pessoas com esse título. Mas encontrar um bom CIO continua tão difícil quanto há 15 anos.

As exigências das empresas em relação a esses profissionais não mudou muito nesse tempo?

Grandes companhias como a GE e a Phillip Morris, por exemplo, têm sido consistentes na contratação e no desenvolvimento de seus profissionais de tecnologia há muitos anos. Elas sempre procuraram executivos capazes de usar a tecnologia para melhorar seus processos de gestão. A diferença dos últimos anos é que, com a internet, esses executivos também começaram a ser obrigados a pensar em maneiras de utilizar a tecnologia como meio de fazer mais e novos negócios. Essa exigência surgiu naturalmente, a partir do momento em que a tecnologia passou a fazer parte dos processos de venda, marketing, logística etc. Por isso as grandes empresas hoje têm executivos de tecnologia em posições estratégicas. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, os salários dos altos executivos de tecnologia são diretamente relacionados aos resultados da empresas e de suas áreas. Eles dividem o mesmo risco que os demais diretores.