Os estilos de raciocínio, liderança e as competências emocionais de cada um

Como medir o capital de liderança de uma empresa? A pergunta é difícil, mas a consultoria Korn/Ferry buscou uma resposta e aplicou-a ao estudar o perfil dos 135 diretores e gerente-gerais da Vale do Rio Doce em todo o país.

Para definir quais são os cargos mais adequados para cada executivo, a consultoria criou um índice de competência individual que leva em conta qualidades classificadas como estilos de raciocínio, estilos de liderança e competências emocionais. Após preencher dois questionários e ser entrevistado por dois consultores, o executivo recebe um grau para cada uma dessas características. A idéia é alocá-lo em funções que requerem pontuação próxima à obtida por ele em cada um dos critérios abaixo:

Estilos de raciocínio

  • Focado em ações: ao deparar-se com uma situação que exija mudança, esse profissional dá prioridade para resolvê-la com rapidez e pouco uso de análise e informação. Se for um especialista atuando em situação conhecida, resolve-a adequadamente. Caso contrário, corre-se o risco de dar a “solução certa para o problema errado”.
  • Flexível: trabalha com muitas soluções simultaneamente. Um profissional muito flexível pode ser percebido como alguém que não sabe bem qual é o problema – ou a solução – e, portanto, usa a “metralhadora giratória”.
  • Complexo: explora com profundidade e rigor a solução que julga mais adequada para o problema. Emprega um método de análise que de forma geral leva a resultados precisos e abrangentes. Alguém muito complexo pode ser considerado “bitolado” e pouco flexível.
  • Criativo: orientado a entender todas as faces de uma situação antes de propor a solução, esse executivo geralmente trata dos vários aspectos do problema. Em excesso, pode parecer dispersivo e pouco orientado a resultados.
  • Sistêmico: uma combinação dos estilos complexo e criativo. Esse estilo começa com uma abordagem criativa para o problema, mas com tendência a propor soluções não diretamente relacionadas à situação original. Definida a solução, trabalha com método e profundidade na criação da melhor solução. Em situações extremas, o executivo sistêmico pode ser visto como sonhador e pouco prático.

    Estilos de liderança

  • Orientado a tarefas: gosta de estabelecer a tarefa que cada um dos interlocutores deve obedecer; no extremo, é um executivo “mandão” e autoritário que não permite que seus interlocutores definam por si mesmos suas responsabilidades. Em situações muito operacionais, com necessidades de resultados de curto prazo, pode ser o estilo mais apropriado.
  • Social: orientado ao relacionamento e à harmonização de divergências, é um estilo de sucesso entre executivos cujo trabalho por meio de pessoas – obtendo delas informações necessárias à decisão — é fundamental. Quando aparece em excesso, leva à dificuldade com a confrontação e a delegação pouco consciente.
  • Intelectual: lidera com foco em uma área de especialização ou um método. Mantém o grupo alinhado com o tema específico, pois evita dispersão e focaliza as interações. Portanto, em situações extremas, pode ser considerado alguém que pouco valoriza as contribuições de terceiros e pode inibir a criatividade.
  • Participativo: orientado a obter as contribuições de todos, buscando a diversidade de pontos de vista. Quando exercitado em grau muito alto, pode ser visto como alguém com dificuldade em expressar seus próprios pontos de vista e tomar decisões.

    Competências emocionais

  • Otimismo: é a capacidade de enfrentar dificuldades com postura positiva.
  • Interpessoal: é o “foco nas pessoas”. Algumas circunstâncias podem demandar competências mais orientadas a pessoas.
  • Auto-conceito: é a capacidade que um executivo tem de se avaliar e investir em seu desenvolvimento profissional.
  • Tolerância a incertezas: é a capacidade de assumir riscos e poder trabalhar em situações ambíguas que não podem ser resolvidas no curto prazo.