Os escritórios de projetos da Votorantim e da Suzano

Desde o início de 2004, a Votorantim Cimentos possui dois escritórios de projetos, criados para centralizar o processo de inovação na companhia. Esses escritórios funcionam mais ou menos como capitalistas de risco, que buscam planos de negócios em que investir, só que são planos de negócio de dentro da empresa.

Um dos escritórios da Votorantim coordena 350 projetos de melhoria operacional. O outro cuida de 700 projetos de investimento da empresa, desde a compra de um carro até a construção de uma fábrica. Os diretores podem enxergar os dados dos mais de 1 000 projetos em andamento por um sistema de computador. Todo mês, o diretor de sistemas de excelência, Jorge Wagner, relata à presidência a situação desses projetos, que são organizados em três categorias, por ordem de importância — A, B ou C. Desde que esse sistema foi implantado, o retorno médio por projeto aumentou de 180 000 reais para 270 000.

Os planos de melhoria operacional devem trazer economia de 100 milhões de reais por ano depois que estiverem implantados, segundo a empresa. A maior parte desse resultado, 80 milhões de reais, virá dos 57 projetos avaliados como A. Já entre os projetos de investimento, os 35 classificados como A deverão consumir pelo menos 1 milhão de reais.

O conceito de escritório de projetos distancia-se do de capital de risco num ponto. Os gestores de projetos não apenas avaliam o investimento, mas também colocam a mão na massa. “Acompanhamos o andamento do projeto”, diz André Dorf, diretor de novos negócios da Suzano. Dorf chefia uma equipe de seis pessoas, que atuam como consultores internos. Eles recebem as sugestões de funcionários de toda a empresa e ajudam a montar o plano de negócios. Quando o plano é aprovado pela diretoria da Suzano, os consultores auxiliam na implementação, com verificação de indicadores de desempenho, análise de risco, cumprimento de prazos etc. Todo projeto tem sempre dois líderes: um executivo da área de origem e um dos consultores internos. Outra função dos consultores é treinar os funcionários com a metodologia de gestão de projetos que eles utilizam. Até agora já foram treinadas 700 pessoas.

No caso da Votorantim Cimentos, a saída para ajudar no dia-a-dia da gestão dos projetos foi criar a função de PSO — sigla para project support officer, ou executivo de apoio a projetos. Os 14 PSO da empresa têm a missão de garantir a mesma metodologia para a execução de todos os projetos. “Muitas vezes o PSO é um funcionário da própria área, treinado para também ocupar essa função”, diz Wagner.