OGX está negociando com a Vinci Partners? Não? Sim? Talvez?

Em apenas um dia e meio, a Vinci negou “cabalmente” qualquer plano com a petroleira, a OGX afirmou que não havia nada entre elas e, agora, diz que sim

São Paulo – Dizer que o mundo dos negócios é cada vez mais dinâmico e o cenário muda rapidamente é um chavão que executivos repetem para justificar muita coisa. Mas a mudança de postura da OGX em relação às conversas com a gestora Vinci Partners pode entrar para a história.

Em apenas um dia e meio, a OGX negou e, depois, admitiu que negocia com a Vinci, enquanto a gestora de fundos negou “cabalmente” qualquer intenção de assumir o controle ou aportar recursos na problemática petroleira de Eike Batista.

Tudo começou na manhã de quarta-feira, quando o site Infomoney noticiou, sem revelar sua fontes, que a Vinci Partners já teria acertado a compra do controle da OGX e 220 milhões de dólares entrariam no caixa da empresa.

Primeiro não

Em contato com a reportagem de EXAME.com, a assessoria de imprensa da OGX informou, naquele dia, que “a informação sobre a Vinci não procede.” Também por e-mail, horas depois, a Vinci Partners informou, numa brevíssima nota oficial, que “nega cabalmente as informações veiculadas hoje pela mídia de que poderia se associar ou mesmo realizar operação ou investimento de qualquer natureza na OGX.” A negativa da Vinci Partners foi reproduzida por jornais no dia seguinte, quinta-feira.

A negativa da OGX à imprensa foi repetida no esclarecimento enviado, na noite daquele mesmo dia, em fato relevante enviado à BM&F Bovespa, com cópia para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No documento, a OGX afirmou que as informações que circularam “constituem suposições de profissionais da imprensa baseadas em rumores”.

Agora sim

O fato relevante foi enviado às 20h15 de quarta. Às 23h de quinta-feira, pouco mais de 24 horas depois, a postura da OGX havia mudado bastante. Depois de negar, a petroleira passou a admitir que negociava com a Vinci.


Em resposta a um ofício da Gerência de Acompanhamento de Empresas da BM&F Bovespa, com cópia para a CVM, a OGX passou a afirmar que “em linha com o fato relevante divulgado na data de ontem e no âmbito da revisão de sua estrutura de capital, a companhia, acompanhada de seus assessores, vem mantendo contato com diversos potenciais investidores, dentre eles a Vinci Partners” (grifo da própria OGX).

O desencontro de informações chamou a atenção do mercado. A avaliação mais benevolente é de que, em meio a tanta gente negociando o destino da empresa, ruídos e falta de alinhamento acontecem – mesmo esses tão gritantes entre a Vinci, que diz não negociar, e a OGX, que diz agora que negocia.

Dúvidas

Já os mais críticos já começam a suspeitar de que alguém pode estar ganhando muito dinheiro com informações que fazem as ações da OGX bombarem na bolsa, puxando, inclusive, o Ibovespa, principal indicador do pregão brasileiro. No blog O Mercado em 5 Minutos, de EXAME.com, Roberto Altenhofen, sócio da casa de análises Empiricus, destaca o desproporcional peso da OGX no Ibovespa.

Enquanto a petroleira, que vale pouco mais de 1 bilhão de reais, responde por 5% do índice, a gigante Ambev, maior cervejaria da América, com valor de 265 bilhões de reais, tem peso de 1,6%.

A Vinci Partners não havia retornado o contato de EXAME.com, em que a reportagem solicita uma posição da gestora sobre a mudança de posição da OGX que, agora, diz que elas estão, sim, conversando.