O Walmart no divã 

Quando uma varejista que fatura 485 bilhões de dólares por ano divulga seus resultados, é como se todo o varejo fosse para o divã. Nesta quinta-feira, o Walmart apresenta os dados do segundo trimestre. A receita da companhia deve vir pouco abaixo do segundo trimestre do ano passado – 120,1 bilhões de dólares ante 120,2 bilhões de dólares. O lucro deve sair dos 3,4 bilhões de dólares para os 3,2 bilhões neste ano.

Mas os olhos estão no futuro da companhia, e não no presente. A grande preocupação é como a aquisição da startup de comércio eletrônico Jet, anunciada no último dia 8 por 3,3 bilhões de dólares pode mudar o destino dos negócios. O Walmart tem seu site de comércio eletrônico há mais de 15 anos, mas o e-commerce sempre foi algo secundário.

Em 2015, o faturamento de seu e-commerce totalizou 14 bilhões de dólares, 3% da receita total. A maior concorrente, a Amazon, faturou 107 bilhões de dólares na internet. É justamente a concorrência com a Amazon que tem feito o Walmart investir cada vez mais. Se o varejo mundial tende a ser dominado por uma companhia, investidores apostam na Amazon para preencher este posto. Na bolsa, a empresa de Jeff Bezos já vale 360 bilhões de dólares – 134 bilhões a mais que o Walmart – mesmo tendo apenas um quarto da receita.

O site da Jet, lançado em julho do ano passado, tinha como objetivo inicial vender produtos mais baratos que o Walmart e a Amazon. Para isso, queimava 4 milhões de dólares todo mês. Junto com a aquisição, o Walmart também anunciou que o fundador da Jet, Marc Lore, será presidente do e-commerce tanto do Walmart quanto da Jet, que a princípio funcionarão de maneira separada. Analistas e investidores não estão muito otimistas com a estratégia. Os papéis da companhia permaneceram quase inalterados desde o anúncio da aquisição. Resta saber se Lore e a Jet conseguirão impactar os resultados já em um dos próximos balanços da empresa – para o bem ou, mais provavelmente, para o mal mesmo.