O que a Daslu e a Riachuelo têm a ver, segundo seu presidente

Em entrevista à EXAME, Luiz Cezar Fernandes, presidente da holding que controla a marca, fala sobre os planos da expansão da Daslu e sobre a queda nas ações da empresa

São Paulo – Associada ao consumo de luxo, a Daslu estará mais acessível aos brasileiros a partir do segundo semestre, quando uma coleção da marca vestirá as araras da Riachuelo. Segundo Luiz Cezar Fernandes, presidente da Laep – holding que controla a Daslu –, a parceria será pontual, com o propósito de expor a etiqueta a diferentes públicos. A ideia é replicar o que já fazem os grandes nomes da moda no exterior – e também no Brasil. A própria Riachuelo já capitaneou associações semelhantes com nomes como Fause Haten, Cris Barros e Osklen.

De qualquer forma, a estratégia apenas complementa os planos de crescer da Daslu, já que o gatilho principal para a marca será, assegura Luiz Cezar, a expansão para outras cidades e a aposta em eventos. Fundador dos bancos Garantia e Pactual, o executivo assumiu a Laep em março deste ano, no lugar do investidor Marcus Elias. Em entrevista à EXAME.com, o novo presidente do grupo que ficou famoso por comprar a deficitária subsidiária da Parmalat e tornar-se sócio da Lácteos Brasil (LBR) reforça o otimismo na companhia.

Para ele, os “acionistas estão dando um tiro no pé” ao se reunirem em associações para contestar a gestão dos negócios. Desde a abertura de capital em 2007, as ações da Laep mergulharam do patamar de sete reais para a casa das dezenas de centavos, um tombo de mais de 90%.

EXAME.com – Como surgiu a ideia da parceria com a Riachuelo? A rede será um ponto permanente para a Daslu?
Luiz Cezar Fernandes – Como em qualquer lugar do mundo, as grandes grifes assinam uma coleção especifica para cadeias de lojas, que atingem um público mais amplo. Nós fizemos uma coleção específica para a Riachuelo. Será uma coleção única para a rede, que vai ser lançada no segundo semestre. A Daslu não vai estar na Riachuelo. Por enquanto, é apenas uma coleção. 

EXAME.com – Como funcionará o modelo de negócios?
Fernandes – A Riachuelo faz tudo. Nós só desenhamos e assinamos a coleção, tirando uma participação nas vendas. É um percentual pequeno. 

EXAME.com – Não há o receio de popularizar uma marca que sempre esteve ligada aos consumidores de alto poder aquisitivo?
Fernandes – Isso é normal no mundo todo. Você tem grandes estilistas que fazem coleções específicas para cadeias varejistas. Não vamos vender a mesma coleção na Daslu. Essa será uma coleção para o público da Riachuelo, com preço de público da Riachuelo. É diferente do que estará nas nossas lojas, o produto será diferente, o tecido será diferente.


EXAME.com – Há chance de a estratégia ser repetida? Faz parte da reestruturação da Daslu?
Fernandes – Vai depender dos resultados e da Riachuelo. Se eles forem bons, nós vamos renovar a coleção. Mas ela não está no cerne dos negócios. É uma estrutura complementar, na qual vamos utilizar o know how de criação e a marca forte que temos. Então as pessoas que querem Daslu vão ter acesso a uma Riachuelo com a marca Daslu. O pessoal que pode comprar Daslu continuará frequentando as lojas. 

EXAME.com – Qual é a importância da Daslu para a Laep e o que está sendo feito pela marca?
Fernandes – A Daslu é a única empresa que está realmente sob o nosso comando [a Laep tem 24,33% da LBR, união das marcas Bom Gosto e Leitbom]. Então estamos concentramos esforços para anunciar um monte de novidades para os próximos seis meses. Vamos criar um novo charme, uma nova visão de mercado para a marca, com eventos e coisas interessantes. 

EXAME.com – O que os acionistas da empresa podem esperar de concreto?
Fernandes – No segundo semestre, a Daslu e a LBR vão começar a apresentar resultados interessantes. A Daslu abrirá lojas em Brasília e em Ribeirão Preto, será uma marca muito lucrativa. 

EXAME.com – Mesmo com as perspectivas, o preço das ações da Laep continua em queda livre. Como o senhor avalia a insatisfação dos minoritários diante da desvalorização dos papéis?
Fernandes – Os minoritários estão dando um tiro no pé. Temos iniciado uma nova fase da companhia, que está se recuperando em várias frentes. Nós somos uma empresa de recuperação de outras empresas em dificuldades. Eles (minoritários) ficam fazendo essas campanhas que só denigrem o preço das ações. No final, são eles que saem prejudicados. Em vez de ajudarem a gestão para melhorar as coisas, eles ficam criando problemas que só fazem com que a ação seja derrubada, prejudicando os demais acionistas. 

EXAME.com – Há críticas em relação às novas emissões de ações, que diluíram a participação dos minoritários, e à transparência da empresa.
Fernandes – Quando você faz uma estratégia para resgatar uma empresa em recuperação judicial, há um monte de implicações. O controlador também diminuiu sua participação na mesma proporção (que os minoritários com as emissões), e nós tiramos dívidas que tínhamos e pagamos em ações. Isso é normal. São operações que sempre existiram e sempre existirão. Você tem o judiciário e problemas trabalhistas que não estava preparado para enfrentar. A lei é nova e dá margem a interpretações. A LBR está em um bom caminho, tem valor enorme. Mas esses processos são coisas que as pessoas às vezes não entendem – apesar de estarem no nosso prospecto. Os acionistas ficam criando problema porque eles estão pensando em criar uma associação de proteção a minoritários, em criar uma empresa, um negócio para eles, em cima da gente.