O presente e o futuro da Petrobras

O engenheiro Pedro Parente assume nesta terça-feira a presidência da Petrobras, a maior empresa do país — o anúncio oficial deve ser na quinta-feira, mas, com a saída de Aldemir Bendine ontem, Parente já é o presidente de fato. A era de inflamados discursos nacionalistas deve ficar bem longe da sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro.

Está nos planos a abertura de licitações para diversificar a exploração do pré-sal, que contém, de acordo com estimativas, potencial para gerar mais de 270 bilhões de barris de petróleo. Hoje, o pré-sal corresponde a um terço da produção nacional, gerando mais de 800.000 barris por dia, 20% mais do que no ano passado.

Já tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei no 4567/16, proposto por José Serra e defendido por Michel Temer, de retirar da Petrobras a exclusividade sobre as reservas, apesar de lhe garantir participação mínima de 30%. Seria um alívio para o caixa da empresa, e uma injeção de racionalidade no setor.

O mercado vê a flexibilização com bons olhos e acredita que pode ser a deixa para a retomada dos leilões do pré-sal e dos investimentos. “São reservas de grande potencial e robustas mesmo com as condições atuais do mercado. Podem atrair até 120 bilhões de dólares em investimentos”, diz Jorge Camargo, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. A abertura dessas áreas deve ocorrer no fim deste ano ou no início de 2017.

Com uma dívida de 450 bilhões de reais e sem perspectiva de melhora real nos preços do barril para muito além dos 50 dólares, cortar investimentos e custos vai ser prioridade para Parente, assim como tem sido o foco desde a gestão de Bendine. Daqui pra frente, é um olho no futuro, e os dois pés bem plantados no presente.