O peixe-frango

A paranaense Aquabel busca a melhoria genética para desenvolver a piscicultura

Sempre que é perguntado sobre quais serão os próximos grandes setores da economia, o veteraníssimo Peter Drucker inclui na lista a piscicultura e a biotecnologia. Se o guru dos gurus estiver certo, o paulistano Ricardo Neukirchner, de 33 anos, deverá ter ouro nas mãos. Proprietário da Aquabel, uma das principais produtoras nacionais de alevinos (filhotinhos) de tilápia, localizada em Rolândia, no Paraná, ele fechou em janeiro um contrato de representação exclusiva no país com a norueguesa GenoMar. A empresa é uma das líderes mundiais em aprimoramento de espécies de peixe. O negócio de Neukirchner, como o da GenoMar, é fornecer filhotes de peixes de alta qualidade a piscicultores. A empresa norueguesa, sediada em Oslo, tem representantes em vários países e, hoje, cerca de 80% do salmão produzido em cativeiro no mundo tem a paternidade genética creditada a seus pesquisadores.

Com um pequeno estande montado na Agrishow, Neukirchner, filho de imigrantes alemães, falava com entusiasmo sobre suas perspectivas. “Estou com acesso garantido à genética de ponta e dentro de oito meses vou começar a produzir os alevinos de tilápia mais rentáveis do país”, afirma. O peixe, que no cardápio de muitos restaurantes aparece com o nome de Saint Pierre ou Saint Peter, é o mais cultivado pelos piscicultores no mundo. Tem uma carne de sabor suave e sem espinhas. A popularidade entre os produtores também se deve a sua ótima taxa de conversão alimentar: as espécies atuais engordam 1 quilo para cada 1,2 quilo de ração que comem. É por essas e outras que ganhou o apelido de “frango” dos peixes.

Segundo Neukirchner, as características que os piscicultores buscam nos peixes são crescimento rápido, alta taxa de conversão alimentar e bom rendimento de filé. O aprimoramento das espécies feito a partir de cruzamentos pode proporcionar ganhos surpreendentes. Há dez anos, por exemplo, um salmão precisava de 10 quilos de ração para engordar 1 quilo. Com a melhora genética, atualmente são necessários apenas 3 quilos. Para acelerar as melhorias na espécie, que os pequenos produtores de alevinos só conseguem por meio de um lento processo de tentativa e erro nos cruzamentos, a GenoMar mapeia o DNA dos peixes e utiliza as informações na determinação de quem vai acasalar com quem. A sofisticação da pesquisa pode ser percebida nos tanques de água da GenoMar. Lá, cada peixe carrega na cabeça um chip, desenvolvido pela empresa em parceria com a IBM e a Motorola, contendo todas as suas informações genéticas.