O fenômeno Raia Drogasil

A rede de farmácias Raia Drogasil está em plena expansão, e 2016 está longe de ter sido um ano de crise, mesmo com o varejo farmacêutico brasileiro tendo apresentado queda de 2,6% nas vendas. Nesta quinta-feira, a empresa divulga os resultados do ano passado, e a expectativa é de que o lucro líquido chegue a 489 milhões de reais, alta de 25,2% em relação ao ano passado, de acordo o banco BTG Pactual.

A empresa líder no varejo farmacêutico tem 1.400 lojas em 18 estados brasileiros – e não faltam novidades. Em 2016, instalou seu oitavo centro de distribuição em Pernambuco, para atender toda a região Nordeste, e inaugurou sua primeira loja no Norte, em Palmas. Só no ano passado, abriu 150 novas lojas; a meta para 2017 são 200. Outra aposta da empresa é o público de baixa renda, com foco em medicamentos genéricos e remédios que não precisam de prescrição, e a ampliação da oferta de cosméticos.

Os investidores gostam do que ouvem. Um relatório feito pela consultoria MZ aponta que a Raia Drogasil é líder no varejo em reputação e maximização de valor aos acionistas, dentre 22 empresas analisadas. A rede valorizou 141% entre 2014 e 2016 e vale mais de 20 bilhões de reais. A Magazine Luiza, que tem receita similar (a previsão é de que, no quatro trimestre do ano passado, tenha faturado 2,6 bilhões de reais, ante 3 bilhões de reais da Raia Drogasil), vale um sétimo da Raia Drogasil na bolsa. 

Por enquanto, não há sinal de maré ruim à vista. “O risco para o setor de farmácias é baixíssimo, por três fatores: a população vai continuar envelhecendo, está na moda ser saudável e há espaço para flexibilização da legislação, que ainda impede as farmácias de ampliarem a oferta de produtos”, diz a analista Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores. Até onde a vista alcança, a Raia Drogasil é uma ilha de tranquilidade em meio à tempestade.