O estilo de Tim Cook em um ano como CEO da Apple, em 4 itens

Sem o charme de Steve Jobs, Cook não fez nada de surpreendente até agora – e, por isso mesmo, agradou ao mercado

São Paulo – Há um ano, abatido pelo câncer, Steve Jobs renunciava ao comando da Apple e passava o bastão a Tim Cook. Em sua carta de despedida, Jobs acreditava que, sob a gestão de seu sucessor, a companhia da maçã viveria dias ainda mais brilhantes e inovadores. A verdade é que, ao mesmo tempo em que não decepcionou o mercado, Cook não fez, até agora, nada que fosse realmente surpreendente e que marcasse sua gestão.

Este momento, no entanto, pode estar muito próximo de acontecer. Isso porque, o mundo espera ansioso o próximo lançamento da Apple: o iPhone 5, previsto para no próximo mês. O evento pode se tornar o primeiro grande feito de Cook como CEO da companhia. Veja, a seguir, quatro pontos que chamaram a atenção dos especialistas no primeiro ano de Cook à frente da Apple:

Lançamentos

“A verdade é que Cook não possui o glamour de Jobs. O fundador da Apple conseguia transformar qualquer novidade em algo brilhante. Era seu toque pessoal. E isso talvez Cook nunca alcance”, afirmou Ricardo Aurelio Roverso Abrão, professor do Instituto Mauá de Tecnologia.

Segundo ele, o executivo vem seguindo os cronogramas de lançamentos propostos pela Apple. “Nada está fora do contexto. Ele vem fazendo o que era feito na época em que Jobs estava no comando. A Apple sempre lançou duas ou mais versões da mesma geração do iPhone, antes de passar para a próxima”, afirmou o professor, referindo-se à decepção do mercado quando Cook apresentou, em outubro do ano, passado o iPhone 4S e não o 5.

Além do iPhone 4S, o executivo apresentou outras três novidades ao mercado neste primeiro ano de gestão: o novo iPad, o McBook Pro e o Mc OSX. O número é superior aos lançamentos feitos por Jobs em seu último ano como CEO da Apple. Na ocasião, foram apresentadas três novidades da companhia.

Preços

A política de preços também foi mantida por Cook e nenhum de seus lançamentos, até o momento, foi supervalorizado, a ponto de espantar e revoltar os consumidores assíduos da Apple.


O iPhone 5, por exemplo, é esperado para chegar ao mercado brasileiro com preços muito similares às versões anteriores na ocasião de seus lançamentos no país – cerca de 2.000 reais.

Diplomático

Cook também vem tendo uma postura mais cortês com assuntos muitas vezes ignorados por Jobs. Prova disso é a relação com os fornecedores. Ele fez questão de ir à China, recentemente, para resolver questões trabalhistas com a Foxconn – principal montadora dos produtos da Apple no mercado chinês.

Nesta semana, a Associação do Trabalho Justo, auditoria que fiscaliza a companhia chinesa, afirmou que a Foxconn melhorou, em alguns aspectos, as condições de trabalho de seus funcionários. O avanço certamente tem o dedo de Cook, que começou a olhar para outros temas da companhia, que não fossem apenas os novos produtos.  

Aprovação

Foi na gestão de Cook também que a Apple alcançou o maior valor de mercado de uma companhia nos Estados Unidos: 623 bilhões de dólares. O fato ocorreu no início dessa semana e, embora existam controvérsias, a Apple conseguiu superar o montante obtido pela Microsoft treze anos atrás, de 620 bilhões de dólares.

O recorde foi registrado, apesar de os investidores se frustrarem com o desempenho financeiro da Apple. Os resultados no último trimestre fiscal, encerrado em junho deste ano, ficaram bem abaixo do esperado. Apesar do crescimento de 21%, totalizando 8,8 bilhões de dólares, era esperado lucro superior a 10 bilhões no período.

A receita também cresceu, mas ficou abaixo das expectativas. No período, a companhia faturou 35 bilhões de dólares, 22% superior ao resultado obtido pela companhia no mesmo período do ano passado.

O mercado acredita que a recuperação da receita e do lucro aconteça até o final de 2012 e há quem diga, que a Apple pode registrar, ainda neste ano, o maior lucro de sua história. Tudo vai depender, no entanto, do próximo lançamento da companhia: o iPhone 5, que além de recuperar o gás financeiro da companhia, pode também projetar Cook como o segundo CEO genial da empresa da maça – lógico, depois de Jobs.