O contra-ataque da Hinode: maquininhas aos 850 mil consultores

Varejista de vendas diretas fechou parceria com a GetNet e a Super Digital para turbinar as vendas de seus consultores

A varejista de cosméticos Hinode, em parceria com a GetNet e a Super Digital, passa a oferecer máquinas de cartões de crédito e débito para seus 850 000 consultores e 450 franqueados. A empresa espera que os consultores faturem em média 30% a mais e os franqueados tenham menores taxas e melhor gestão do negócio. Na fase de testes, uma franquia com faturamento de 600 mil reais por mês encontrou erros de recebimento em cerca de 40 mil reais. 

A iniciativa se deu ao presentear com terminais de pagamento os 10.000 dos consultores com resultados de vendas mais consistentes no último três meses. Para os demais, o produto é vendido em doze parcelas que seis reais. Segundo a Hinode, no último evento da marca no Rio de Janeiro, foi realizada 1,5 venda por minuto. 

Mais da metade da força de vendas da Hinode é composta pelas classes D e E, assim o movimento permite ainda incluir essas pessoas em atividades financeiras ao adquirirem cartões pré-pagos e contas digitais gratuitas. Em 2018, 40 mil consultores receberam seus bônus por ordem bancária já que não possuíam conta em banco.

“Percebemos na iniciativa uma oportunidade para que os consultores e franqueadora fizessem melhores negócios”, diz Marilia Rocca, CEO da Hinode.

Investir em tecnologia tende a ser fundamental para a Hinode manter seu ritmo de crescimento num mercado mais competitivo. Na semana passada duas de suas principais concorrentes na venda direta — a brasileira Natura e a americana Avon — anunciaram uma união, criando a quarta maior empresa de cosméticos do planeta. Juntas, elas terão mais poder de fogo no investimento em tecnologia, em marketing e em inovação. É uma combinação que deve faz a distância da Hinode para as líderes de mercado voltou a crescer.

Fundada em 1988, numa garagem na zona norte de São Paulo, a marca passou anos como uma pequena empresa. O crescimento veio depois que a companhia aderiu ao controverso modelo do marketing multinível, muitas vezes usado por esquemas de pirâmide financeira. Neste sistema, os vendedores ganham não só pela venda de produtos, mas também pela indicação de novos vendedores.

A companhia faturou 2,7 bilhões de reais em 2018 – número 80% maior que o faturamento de 2016 (de 1,5 bilhão de reais) e 320 vezes maior que o conquistado há dez anos, quando faturava uma média de 8,4 milhões de reais ao ano.